O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu líderes latino-americanos na Flórida neste sábado (7) para anunciar a formação de uma coalizão militar contra os cartéis de drogas durante a cúpula “Escudo das Américas”.
Trump assinou o documento “Compromisso de combate à atividade criminosa dos cartéis” e destacou que os cartéis de drogas são um dos principais motivos para o aumento do envolvimento do seu governo na América Latina. Ele mencionou a pressão sobre a Venezuela e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro.
Participaram da cúpula pelo menos uma dúzia de líderes da América Central, da América do Sul e do Caribe. Trump afirmou: “É uma ótima parte do mundo, mas para preencher esse tremendo potencial, devemos destruir o controle dos cartéis e gangues criminosas e organizações horríveis dirigidas por, em alguns casos, animais absolutos e realmente libertar nosso povo”.
A Kristi Noem foi anunciada como enviada especial para o “Escudo das Américas”. Noem, que foi secretária de Segurança Interna, foi destituída do cargo esta semana após críticas do Congresso.
A reunião também permite que Trump projete força mais perto de casa, enquanto o conflito no Oriente Médio gera consequências como o aumento dos preços do petróleo e do gás. O governo Trump busca combater a crescente influência chinesa na região, enquanto se prepara para conversações com o presidente chinês Xi Jinping em Pequim, no final de março.
A cúpula reuniu líderes conservadores alinhados com Trump sobre segurança, migração e economia. Entre os participantes estavam o presidente da República Dominicana, Luis Abinader, o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, o presidente da Costa Rica, Rodrigo Chaves Robles, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, e o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, não foi convidado. Bukele, cuja repressão às gangues é criticada por grupos de direitos humanos, se tornou um modelo para parte da direita latino-americana. O presidente hondurenho Nasry Asfura e o presidente equatoriano Daniel Noboa também participaram, com Noboa anunciando operações conjuntas com os EUA em uma repressão militar ao tráfico de drogas.
Os líderes presentes compartilham a visão linha-dura de Trump em relação ao crime e à migração, favorecendo a repressão em detrimento de ajustes sociais. Essa ascensão reflete uma guinada mais ampla à direita na América Latina, em um momento em que a região é atraída em direções opostas por Washington e Pequim.
O comércio da China com a América Latina atingiu um recorde de US$ 518 bilhões em 2024, com Pequim emprestando mais de US$ 120 bilhões a governos do Hemisfério Ocidental. O governo Trump tem pressionado os países da região a restringir o papel da China em ativos estratégicos.

