O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 9, que seu governo irá “suspender algumas sanções relacionadas ao petróleo para reduzir preços”. A decisão ocorre após o barril de petróleo ultrapassar US$ 100 pela primeira vez desde 2022, em decorrência do conflito no Oriente Médio, que foi desencadeado por ataques americanos e israelenses ao Irã.
Trump não detalhou quais sanções serão suspensas. No entanto, fontes consultadas afirmaram que Washington está considerando aliviar as sanções ao petróleo russo e liberar estoques emergenciais de petróleo bruto. Em resposta aos ataques que começaram em 28 de fevereiro, o Irã iniciou uma campanha retaliatória contra Israel e nações do Golfo que abrigam bases militares americanas.
Embora o regime iraniano tenha negado que as monarquias do Golfo sejam seus alvos, autoridades árabes informaram que os ataques a instalações petrolíferas visam aumentar os preços globais de energia, pressionando a Casa Branca e o governo israelense a interromper o conflito. Trump, por sua vez, tentou minimizar a alta dos preços, afirmando que eles “cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar”.
O presidente americano declarou que a alta nos preços do petróleo era “um preço muito pequeno a se pagar pela segurança e paz mundial”. Ele ressaltou que essa seria uma consequência “de curto prazo” da guerra contra o Irã. “Os preços do petróleo a curto prazo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear iraniana for eliminada, são um preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz dos Estados Unidos e do mundo. SÓ OS TOLOS PENSARIAM DIFERENTE!”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social.
O regime iraniano alertou que a continuação dos ataques dos Estados Unidos e Israel poderia elevar ainda mais os preços do petróleo. Um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica declarou: “Se vocês toleram o petróleo a mais de US$ 200 o barril, continuem com esse jogo”. A interrupção no fornecimento de energia da região pode afetar os preços para consumidores e empresas globalmente, levando a uma inflação crescente.
As bolsas de valores na Ásia, no Reino Unido e na Europa abriram em queda devido às preocupações com uma crise de abastecimento provocada pela guerra. O petróleo Brent, referência internacional, subiu a 29%, atingindo US$ 119,50 o barril, mas depois recuou para US$ 106,73.
Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que controla a rota por onde passam 20% do petróleo e gás comercializados no mundo, pressionou os mercados internacionais. Dados indicam que o tráfego de petroleiros pela rota caiu 90% desde o início do conflito.
O G7 convocou uma reunião para discutir medidas para baixar o preço do petróleo. Após as conversas, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, anunciou que as potências decidiram não liberar reservas emergenciais de petróleo por enquanto. Em declaração conjunta, os ministros afirmaram estar prontos para apoiar as redes globais de energia, mas não tomaram ações concretas.
Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), participou da reunião do G7 e afirmou que todas as opções foram discutidas, incluindo a liberação das reservas emergenciais de petróleo. Reportagens indicam que os Estados Unidos e outros três países do G7 defendem a liberação de 300 a 400 milhões de barris, o que representa 25% a 35% dos 1,2 bilhão de barris em reserva.


