Uberlândia caiu 10 posições no Ranking de Saneamento divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. A cidade, localizada no Triângulo Mineiro, saiu da lista das 20 melhores do Brasil e agora ocupa a 21ª colocação entre os 100 municípios mais populosos do país.
Este é o quarto ano consecutivo em que Uberlândia recua na classificação. Em 2023, a cidade caiu do 2° para o 3° lugar. No ano seguinte, desceu para a quinta posição. Em 2025, a cidade teve uma queda significativa, saindo do 5º lugar para o 11º. A posição no ranking de 2026 é o pior resultado da cidade em toda a série histórica do Trata Brasil, além de ser a segunda vez que o município fica fora dos 10 primeiros colocados.
Uberlândia já foi a 1ª em saneamento básico de Minas Gerais e a 1ª do Brasil no ranking de 2013. Nos 18 anos de publicação do estudo do Trata Brasil, a cidade esteve por 10 vezes entre as três melhores do país. O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) afirmou que a metodologia utilizada atualmente pelo Instituto Trata Brasil não reflete a qualidade do serviço de saneamento entregue à população, pois privilegia grandes investimentos em estrutura e expansão de serviços, não sendo parâmetro para Uberlândia, que já possui um sistema consolidado e eficiente.
O levantamento divulgado nesta quarta-feira utilizou dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) e avaliou indicadores como abastecimento de água, esgotamento sanitário, tratamento de esgoto, perdas na distribuição e investimentos por habitante. Apesar da queda na colocação, o serviço de saneamento básico em Uberlândia apresentou algumas avaliações melhores em relação a 2025, como o atendimento total de água, que alcançou 98,05%, e o atendimento total de esgoto, que foi de 97,01%.
Entre 2020 e 2024, Uberlândia investiu R$ 263,82 milhões em saneamento, com uma média anual de R$ 69,89 por habitante, abaixo da média ideal de R$ 225 por habitante, indicada pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). O montante investido nos últimos 5 anos é 20,13% menor que o registrado no estudo de 2025. As perdas de água na distribuição também apresentaram um cenário estagnado, com um leve aumento de 0,41 ponto percentual, totalizando 21,64% de perdas.
O Dmae destacou que a qualidade do saneamento deve ser medida pelos resultados entregues à população, como qualidade da água, regularidade no abastecimento e eficiência operacional, aspectos em que Uberlândia é referência nacional. O estudo, que anteriormente adotava uma abordagem mais ampla de acesso à água potável, passou a utilizar indicadores baseados na população atendida pela rede formal de abastecimento, o que pode não refletir integralmente a realidade de áreas não regularizadas.

