A Ucrânia anunciou a recuperação de territórios pela primeira vez desde 2023. Na terça-feira, 10 de março, as forças ucranianas afirmaram ter recuperado quase totalmente a região leste de Dnipropetrovsk, recapturando 400 quilômetros quadrados de território em recentes contra-ataques.
Os avanços ocorreram após semanas de operações que começaram no final de janeiro e se intensificaram em fevereiro. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, mencionou em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera que os ganhos de Kiev totalizaram 460 km² desde janeiro, representando cerca de 10% do que foi perdido para Moscou no ano anterior.
Segundo Zelensky, a recuperação se deve à incapacidade do Kremlin de repor suas perdas humanas na linha de frente. A retomada foi particularmente bem-sucedida em Dnipropetrovsk, reduzindo a presença militar russa a apenas três cidades. “Quase todo o território de Dnipropetrovsk foi libertado”, afirmou o major-general Oleksandr Komarenko durante um discurso televisionado.
Na província vizinha de Zaporizhia, onde a Rússia ocupava quase 75% da área, a Ucrânia recuperou nove cidades desde janeiro. O think tank americano Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) apontou que os ganhos territoriais ucranianos foram menores do que o anunciado, mas ainda assim significativos, com a recuperação de 257 km² de área.
O tenente-general Ihor Romanenko, ex-vice-chefe do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Ucrânia, destacou que os ganhos são táticos, mas importantes. Em entrevista à emissora Al-Jazeera, ele mencionou que Kiev tem utilizado suas reservas para avançar em Dnipropetrovsk e Zaporizhia, mas alertou que o exército russo continua progredindo em direção a áreas-chave no Oblast de Donetsk.
O pesquisador Nikolay Mitrokhin, da Universidade de Bremen, discordou da avaliação de Romanenko, afirmando que os ganhos ucranianos “dificilmente podem ser chamados de significativos”, considerando que muitas das áreas recuperadas foram previamente anexadas pela Rússia após “referendos” em 2022.
As autoridades e especialistas atribuem os ganhos da Ucrânia ao alto número de perdas humanas do exército russo e à falta de reposição de soldados. Embora Moscou tenha mobilizado um número elevado de recrutas em 2025, com até 60 mil em alguns meses, enfrenta dificuldades para manter um fluxo constante de novos soldados neste ano.
“Há três meses, eles não têm com o que formar suas reservas”, afirmou Romanenko. Zelensky mencionou que a Rússia está perdendo até 35.000 soldados por mês, o que equivale ao número de novos recrutas mobilizados. Ele acredita que, com a diminuição das forças russas, “negociações sérias começarão”.
Entre os fatores que dificultam o recrutamento estão as sanções ocidentais, que impactaram a economia russa. Apesar das dificuldades, o presidente Vladimir Putin parece hesitante em ordenar uma mobilização em larga escala, temendo reações negativas da população.


