A Universidade Federal de Goiás (UFG) anunciou a integração ao Programa de Cátedras University Twinning and Networking da Unesco, com a aprovação da Cátedra ‘Saberes Patrimoniais, Biodiversidade e Cidadania’. Esta é a primeira Cátedra vinculada à Unesco no Estado de Goiás.
A Cátedra terá como foco os patrimônios culturais e naturais em diálogo com a biodiversidade do Cerrado, com ênfase na cidade de Goiás, na Chapada dos Veadeiros e no Parque das Emas, todos reconhecidos pela Unesco. A proposta busca articular conhecimentos acadêmicos e saberes tradicionais, especialmente de povos indígenas, quilombolas, camponeses e populações urbanas periféricas.
A iniciativa será coordenada pela professora Izabela Tamaso, da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da UFG, e insere a instituição em uma rede global de cooperação acadêmica. O programa, criado em 1992, conta com mais de 900 instituições de 120 países.
De acordo com a Unesco, uma Cátedra Unesco é uma equipe liderada por uma instituição de ensino superior que estabelece parceria com a Unesco para promover conhecimento em áreas prioritárias. A professora Izabela Tamaso destacou que a resposta à crise climática passa pelos saberes patrimoniais seculares das populações tradicionais.
A aprovação da Cátedra na UFG reflete critérios prioritários da Unesco, como a promoção da equidade de gênero e a cooperação com países africanos. A candidatura envolveu instituições e centros de pesquisa do Brasil, Portugal, Peru, Argentina e Moçambique, além de laboratórios da própria UFG.
A Cátedra terá duração de quatro anos, com possibilidade de renovação, e prevê cursos, mapeamentos, identificação de riscos aos sistemas tradicionais e desenvolvimento de projetos de preservação. Também estão programados intercâmbios e reuniões entre instituições parceiras.
Ao final do período, a Cátedra pretende disponibilizar diagnósticos e análises sobre saberes patrimoniais goianos em uma plataforma multimídia aberta, conectada a bases internacionais. A expectativa é que estudantes de comunidades tradicionais participem das pesquisas como bolsistas, com recursos captados de agências de fomento.
A professora Izabela Tamaso afirmou que o impacto direto para o Estado será expressivo, contribuindo para melhores condições de vida das populações do Cerrado e para políticas públicas de gestão territorial e ambiental. ‘Além disso, Goiás passa a se inserir de forma protagonista nas redes internacionais da Unesco’, concluiu.


