Urbanização Brasileira Avança Aceleradamente em Áreas de Risco, Aponta Pesquisa

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma pesquisa do MapBiomas aponta que a urbanização brasileira avançou de forma mais acelerada sobre áreas ambientalmente vulneráveis do que na média nacional. Entre 1985 e 2024, a área urbana do país cresceu 2,5 vezes, passando de 1,8 milhão para 4,5 milhões de hectares, com uma média anual de 70 mil hectares.

O estudo revela que a ocupação em terrenos de alta declividade, mais suscetíveis a deslizamentos, triplicou no período, saltando de 14 mil para 43,4 mil hectares, dos quais 40,5 mil na Mata Atlântica. As áreas urbanizadas situadas até três metros acima da drenagem mais próxima, indicadoras de vulnerabilidade a enchentes, aumentaram 145%, passando de 493 mil para 1,2 milhão de hectares.

O crescimento das favelas foi ainda mais expressivo, expandindo-se 2,75 vezes em quatro décadas. Esse ritmo supera a média nacional de urbanização, com uma expansão de 150% em encostas e de mais de 200% em áreas próximas a cursos d’água.

A pesquisa também destaca que 25% da expansão urbana sobre áreas naturais (670 mil hectares) ocorreu em zonas classificadas como de segurança hídrica crítica, impactando 1.325 municípios e evidenciando um descompasso entre o crescimento urbano e a disponibilidade de água.

Minas Gerais se destaca nesse cenário, liderando com a maior área urbanizada em alta declividade no país, com a ocupação nessas áreas triplicando desde 1985, atingindo 14,5 mil hectares em 2024. Em Juiz de Fora, a terceira cidade brasileira com maior urbanização em encostas acima de 30% de inclinação, o crescimento foi de 2,3 vezes no período.

Rio Grande do Sul e Santa Catarina registraram as maiores altas proporcionais no crescimento urbano em encostas (sete e seis vezes, respectivamente), enquanto Rio de Janeiro e São Paulo concentram extensas áreas urbanizadas em cotas críticas de drenagem.

O levantamento aponta que 60% de toda a expansão urbana brasileira ocorreu nos últimos 40 anos, em um ritmo mais que o dobro do crescimento populacional, consolidando um padrão de espraiamento que amplia a exposição a riscos hidrológicos e geotécnicos, especialmente com o aumento da frequência de eventos extremos.

},
“deep_data”: {
“entities”: {
“people”: [],
“orgs”: [“MapBiomas”],
“places”: {
“city”: “Juiz de Fora

Compartilhe esta notícia