A concessionária Urbia solicitou reforço da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para conter o que considera ‘mau uso’ da Marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo. O pedido foi feito após a reabertura do espaço, que ocorreu em 24 de janeiro de 2026, após seis anos de interdição para obras.
Desde a reinauguração, a Urbia enviou três ofícios à gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) pedindo apoio no policiamento para evitar episódios de vandalismo e uso inadequado do local. A área destinada à prática de skate e patins ocupa 3,6 mil metros quadrados, aproximadamente 13% da Marquise, mas as novas regras raramente são cumpridas.
Frequentadores do espaço afirmam que o controle é difícil, especialmente nos dias de maior movimento. Além disso, muitos consideram a área reservada pequena e criticam a falta de sinalização clara sobre os limites. A Marquise, projetada por Oscar Niemeyer, é um ponto histórico e cultural importante para a prática de skate e patins desde a década de 1970.
““É só um chão liso, mas é um chão liso perfeito. É muito grande e ainda é coberto”, disse o skatista profissional Rodrigo TX.”
A reforma da Marquise custou R$ 87 milhões e foi executada pela Construcap, controladora da Urbia. Após a reabertura, a concessionária enviou uma carta à prefeitura alertando sobre o risco de degradação devido ao uso inadequado do espaço. O documento solicita reforço da GCM para coibir as condutas irregulares.
Em 13 de fevereiro, a Urbia relatou que seus vigilantes enfrentaram ofensas ao tentar orientar os usuários e que a falta de policiamento permanente contribui para o descumprimento das normas. O terceiro pedido de apoio foi enviado em 20 de fevereiro, após a negativa da empresa a uma solicitação da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer para instalar uma pista de obstáculos temporária.
A Urbia justificou a negativa afirmando que a ativação poderia incentivar o mau uso do espaço. A concessionária identificou 789 casos de quebra de regulamento desde a reinauguração e informou que, dos 36 acionamentos feitos à GCM em 2026, apenas sete resultaram em atendimentos.
““Tais condutas, na verdade, não deveriam ser estimuladas pelo Poder Concedente, mas reprimidas e coibidas”, diz trecho da comunicação da Urbia.”
A Prefeitura de São Paulo informou que reforçou o patrulhamento da GCM na área do parque com 30 agentes, 13 viaturas e 6 motocicletas. Fotografias anexadas aos ofícios mostram skatistas fazendo manobras em paredes e pilares, além de pichações no piso.
A Urbia afirmou que não pode arcar com custos adicionais de fiscalização e que a vigilância patrimonial se mostrou ineficiente. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente rebateu, afirmando que a Urbia deve proteger o bem público e preservar sua integridade estrutural.
Usuários da Marquise criticam as novas regras, considerando o espaço um ponto tradicional da cultura do skate e do patins. Frequentadores afirmam que a área reservada é pequena demais e que a fita preta no chão é difícil de enxergar. Um instrutor anônimo relatou que a localização da zona exclusiva gera quedas frequentes.
A equipe de reportagem observou skatistas e patinadores utilizando toda a extensão da Marquise sem intervenção das equipes de segurança. A babá Patrícia Vieira, de 40 anos, expressou preocupação com a segurança no local, especialmente aos fins de semana.


