Ver um policial militar de barba no Brasil é algo raro e, na maioria dos estados, oficialmente proibido. A imagem do ‘militar padrão’, com cabelo curto, barba feita e farda impecável, reflete questões de hierarquia, padronização e disciplina. Fugir dessa regra pode resultar em punições disciplinares.
Um levantamento nas Secretarias de Segurança Pública de todos os estados e do Distrito Federal revela que a regra geral é a proibição da barba, permitida apenas em situações excepcionais, como problemas de saúde comprovados por laudo médico. Estados como Acre, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia e Santa Catarina não enviaram informações sobre suas normas.
As Polícias Militares brasileiras justificam a proibição da barba com base em razões institucionais. Entre as principais estão: a padronização da tropa, que visa manter uniformidade visual; a disciplina e hierarquia, que são princípios fundamentais das Forças Armadas; e a higiene e apresentação pessoal, que garantem uma aparência limpa e adequada ao serviço público.
Alguns regulamentos preveem exceções, geralmente com autorização formal e justificativa específica. A autorização médica é a mais comum, onde o barbear diário pode causar irritações na pele. Em casos de agentes que atuam disfarçados, como os lotados em áreas de serviço reservado de inteligência, a barba pode ser permitida.
As punições para o descumprimento das regras variam conforme o estado, mas incluem advertências, repreensões e até detenção disciplinar. A Polícia Militar do Tocantins, por exemplo, considera o descumprimento das normas de apresentação pessoal como transgressão disciplinar, sujeitando o policial a sanções administrativas.
O uso do bigode, em geral, é permitido, mas deve seguir padrões específicos. Algumas corporações exigem que o bigode não ultrapasse os cantos da boca. Em janeiro, um sargento da PM de Pernambuco foi punido com três dias de detenção devido ao tamanho do bigode, que não estava conforme os padrões exigidos.
Apesar das perguntas sobre possíveis mudanças nas regras sobre o uso de barba, nenhuma corporação indicou que há discussões nesse sentido.


