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Saúde

Vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por até 5 anos

Amanda Rocha
Última atualização: 6 de março de 2026 12:27
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
Vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por até 5 anos
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Um novo estudo publicado pelo Instituto Butantan revelou que a vacina brasileira contra a dengue, chamada Butantan-DV, mantém sua eficácia por pelo menos cinco anos após a aplicação. O imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro do ano passado e já está sendo administrado em profissionais de saúde em várias regiões do país.

Durante o período de acompanhamento, nenhuma pessoa vacinada apresentou dengue severa ou necessitou de hospitalização devido à doença. A eficácia da vacina contra as formas graves da dengue e infecções com sinais de alerta foi de 80,5%. A diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, destacou que esse resultado é positivo, pois confirma a eficácia da vacina e demonstra a eficiência do esquema de dose única.

A vacina é a primeira do mundo contra a dengue que pode ser aplicada em apenas uma dose. Fernanda Boulos afirmou: “Vacinas que precisam de duas ou mais doses têm dados que mostram que muitas pessoas não voltam para completar o esquema. Essa demonstração de que uma única dose mantém a proteção alta é muito importante. Mas vamos continuar acompanhando para saber se será necessário um reforço depois de 10 ou 20 anos”.

A eficácia geral do imunizante contra a dengue foi de 65%, mas subiu para 77,1% entre aqueles que já haviam contraído a doença antes da vacinação. Os resultados mostraram variações de eficácia conforme a faixa etária, sendo maior entre adultos e adolescentes do que entre crianças. Por essa razão, a Anvisa registrou a Butantan-DV apenas para pessoas de 12 a 59 anos, apesar de a vacina ter sido testada em crianças a partir de 2 anos.

Fernanda Boulos explicou que, embora os dados de segurança para crianças estejam corretos, a eficácia entre elas diminui mais rapidamente do que entre os adultos após cinco anos. O Butantan está planejando, junto com a Anvisa, um estudo adicional em crianças para incluir esse público no esquema de vacinação no futuro. Além disso, testes em idosos estão em andamento, com resultados esperados para o próximo ano.

“O sistema imunológico também passa por um processo de envelhecimento, então é importante entender se os idosos têm a mesma capacidade de gerar resposta imune com a vacina”, disse Boulos. O acompanhamento dos pacientes será feito por um ano, e os dados serão comparados com os de adultos, sendo enviados à Anvisa para possível ampliação do público-alvo.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha, afirmou que a inclusão de idosos na vacinação é crucial, considerando que a maior taxa de mortalidade por dengue ocorre nessa faixa etária. Ele também ressaltou os resultados positivos sobre a segurança da vacina.

O estudo de longo prazo da Butantan-DV foi publicado na revista Nature Medicine e mostrou que a vacina foi, de modo geral, bem tolerada, sem preocupações de segurança a longo prazo. Os dados foram obtidos após o acompanhamento de mais de 16 mil pacientes, com cerca de 10 mil recebendo a vacina e quase 6 mil recebendo placebo.

Fernanda Boulos confirmou que a prioridade é abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Após atender a demanda nacional, o Instituto Butantan deve negociar a venda de doses para outros países, especialmente na América Latina, que também enfrenta epidemias da doença.

TAGGED:AnvisaButantan-DVdengueFernanda BoulosInstituto ButantanJuarez CunhaSão PauloSociedade Brasileira de ImunizaçõesVacina
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