O vereador do Rio de Janeiro, Salvino Oliveira (PSD), de 28 anos, foi preso na manhã desta quarta-feira (11) durante a Operação Contenção Red Legacy, realizada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ). A operação investiga a estrutura nacional da facção criminosa Comando Vermelho e suas possíveis conexões com agentes externos, incluindo a atuação política em comunidades dominadas pelo CV.
Até o momento, sete pessoas foram detidas, incluindo o vereador e seis policiais militares. Salvino Oliveira Barbosa nasceu e cresceu na Cidade de Deus, na zona oeste do Rio, e é formado em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele também estudou no Colégio Pedro II.
Antes de entrar na política, Salvino participou de projetos sociais e atuou como voluntário em um curso pré-vestibular comunitário. Em 2021, aos 22 anos, tornou-se o secretário municipal mais jovem da cidade ao assumir a Secretaria da Juventude na gestão do prefeito Eduardo Paes, cargo que ocupou até 2024. Nas eleições seguintes, foi eleito vereador pelo PSD com mais de 27 mil votos.
Em nota, a assessoria jurídica de Salvino confirmou que foi acionada e aguarda esclarecimentos das autoridades competentes. A prefeitura do Rio de Janeiro também foi contatada e aguarda posicionamento.
As investigações da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) indicam que o vereador teria negociado com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, sob domínio do Comando Vermelho. Em troca, ações apresentadas como benefícios à população local foram articuladas, como a instalação de quiosques na região, com a definição dos beneficiários feita por integrantes do CV.
A investigação também aponta a participação de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como “Marcinho VP”. A esposa de Marcinho, Márcia Gama, é mencionada como responsável por intermediar interesses do grupo fora do sistema prisional. Outro investigado, Landerson, sobrinho do traficante, é considerado elo entre lideranças da facção e pessoas ligadas a atividades econômicas exploradas pela organização criminosa. Ambos não foram localizados e são considerados foragidos.
O advogado Flávio Fernandes falou à imprensa na chegada à Cidade da Polícia, afirmando que ainda não teve acesso aos documentos da investigação, mas confia na Justiça. A defesa destacou que recebeu a notícia com surpresa e que Márcia estava viajando “como pessoa livre” desde segunda-feira (9). O escritório que a representa afirmou que irá orientá-la conforme necessário.
Durante as apurações, foram identificados casos de policiais militares envolvidos em atividades ilícitas, como vazamento de informações e simulação de operações. A PMERJ informou que sua Corregedoria acompanhou a Polícia Civil no cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra seis policiais militares, que serão levados para a Cidade da Polícia e depois transferidos para a unidade prisional da corporação em Niterói.
O comando da PM afirmou que “não tolera desvios de conduta ou crimes cometidos por seus integrantes” e que pune rigorosamente os responsáveis quando os fatos são comprovados. A Polícia Civil continua as investigações para identificar outros envolvidos e mapear a estrutura financeira e operacional da organização criminosa.


