Circulam nas redes sociais posts que mostram um vídeo de um protesto de motoboys, afirmando que se trata de uma manifestação contra o governo Lula e seus impostos. No entanto, essa informação é falsa.
O vídeo, compartilhado em posts no X e no Facebook desde o dia 15 de março, mostra dezenas de entregadores reunidos em uma avenida. Durante o protesto, um deles usa um megafone e diz: “Nós paramos o Brasil e vamos parar a P. toda, se for preciso. Nós vamos puxar agora, bora!”.
As legendas dos posts incluem afirmações como: “Os trabalhadores de aplicativos, revoltados com o PT querendo taxa mínima de R$ 10 para por entrega + acrescimento de R$ 2,50 por cada quilômetro rodado”; “Motoboys perderam a paciência com o Lula e seus impostos”; e “Motoboys iniciam paralisação contra o governo Lula que quer colocar mais imposto na categoria”.
Embora o vídeo seja autêntico, ele está fora de contexto. As imagens são de um protesto realizado em 26 de janeiro, quando motoboys se manifestaram contra a falta de segurança no Rio de Janeiro, após a morte de dois entregadores em menos de uma semana.
Os posts ganharam destaque após uma reunião entre ministros do governo e deputados sobre o PLP 152/2025, um projeto de lei complementar que regulamenta o trabalho por aplicativos. A proposta prevê um valor mínimo de R$ 8,50 por entrega, com o governo buscando um valor de R$ 10.
Na sexta-feira, 13 de março, o Fato ou Fake publicou uma checagem sobre o mesmo tema, esclarecendo que é falso que o governo Lula tenha proposto taxar entregadores de aplicativo em R$ 10 por corrida.
O conteúdo original do vídeo foi publicado em 26 de janeiro por Thiago Santana, que se apresenta como “liderança motoboy RJ”. Os posts falsos cortaram o final do registro, onde ele diz: “Nós vamos puxar agora pro palácio Guanabara [sede do governo do estado do Rio de Janeiro]”.
Na noite anterior ao protesto, Paulo Vitor de Souza Lopes, de 22 anos, foi morto a tiros enquanto fazia uma entrega na Zona Oeste do Rio. O crime ocorreu menos de uma semana após a morte de outro entregador na Zona Norte.
Em outro vídeo, Thiago convoca a categoria para o ato, afirmando: “Mais um dos nossos que caiu trabalhando, mano. Está ficando impossível de trabalhar no Rio de Janeiro. […] Precisamos de melhoria na porra da segurança, para ontem. […] Estamos indo lá pra Campo Grande. Nós não vamos morrer calados. Vamos fazer nossa manifestação, eles vão ter que nos ouvir”.


