Uma nova tendência no TikTok, chamada “treinando caso ela diga não”, tem gerado polêmica nas redes sociais. Criadores de conteúdo estão simulando reações violentas após rejeições a pedidos de namoro ou casamento.
Nos vídeos, os autores encenam abordagens românticas seguidas da frase “treinando caso ela diga não”. Após essa legenda, eles representam reações agressivas, que incluem socos em objetos e movimentos de luta.
Uma análise de vinte vídeos publicados entre 2023 e 2025 revelou que esses posts acumulam mais de 175 mil interações e são originados de perfis com seguidores que variam de 883 a 177 mil. Essa tendência surge em um contexto alarmante, com o Brasil registrando um recorde de feminicídios em 2025, totalizando 1.470 mortes de mulheres por esse tipo de crime, superando os 1.464 casos de 2024.
A média indica que quatro mulheres foram assassinadas por dia no país no ano passado. A popularidade do formato simples dos vídeos facilita sua reprodução, com muitos criadores utilizando a mesma frase e pequenas variações nas encenações.
Embora essa tendência tenha se intensificado no final de 2025, registros de vídeos semelhantes já existiam desde 2023. Um exemplo encontrado foi um vídeo em inglês, publicado em março de 2025, que acumulou mais de 115 mil curtidas.
A pesquisadora Raquel Saraiva, presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), comentou que conteúdos desse tipo se espalham rapidamente devido ao engajamento que geram. “As plataformas não gostam de remover conteúdo, principalmente os virais, pois isso traz lucro”, afirmou.
Recentemente, uma jovem de 20 anos foi esfaqueada mais de 15 vezes no Rio de Janeiro por um homem que não aceitou sua rejeição. Em Pernambuco, outra jovem foi atacada e teve o corpo incendiado após recusar um relacionamento. Em Minas Gerais, uma mulher de 38 anos foi morta após rejeitar um beijo durante uma negociação de celular.
Após a repercussão da trend, alguns vídeos foram removidos ou deixaram de aparecer nas buscas da plataforma. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) acionou o Ministério Público para investigar conteúdos que sugerem agressões contra mulheres. Ela destacou que esses vídeos podem contribuir para a naturalização da violência nas redes sociais.
““Na véspera do Dia Internacional das Mulheres, o que viraliza são homens incitando ódio… a misoginia, a violência…”, afirmou a deputada.”


