Violência contra mulher: 9 sinais de alerta para relacionamentos abusivos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A violência por parceiro íntimo frequentemente não começa com agressão física, mas sim com comportamentos que se intensificam ao longo do tempo, como controle, ciúme excessivo e manipulação. O alerta é de Bia Diniz, fundadora da ONG Cruzando Histórias, que atua na prevenção da violência contra a mulher.

Segundo a especialista, existem sinais que podem indicar que um relacionamento tem potencial para se tornar abusivo. Entre eles estão atitudes como ridicularizar a parceira, tentar controlar roupas, amizades ou comportamentos e exigir informações constantes sobre onde a pessoa está ou com quem está.

“Muitas vezes o abuso é relacionado ao cuidado. As pessoas tendem a dizer ‘Isso é amor’”, afirmou Bia Diniz. Ela também destacou que ameaças emocionais podem indicar risco, como frases do tipo “não vivo sem você” ou “se o relacionamento acabar minha vida acaba junto”.

Esse tipo de comportamento faz parte do chamado ciclo do abuso, que inclui aumento de tensão, conflito, pedido de desculpas e repetição das agressões. A ONG participa do programa de conscientização Abuso Não é Amor, que oferece treinamento online gratuito para ajudar a identificar sinais de relacionamentos abusivos e orientar possíveis vítimas sobre como buscar ajuda.

Os 9 sinais de um relacionamento abusivo incluem: ignorar, chantagear, humilhar, manipular, mostrar ciúmes excessivos, controlar, intrusão, isolar e intimidar. A especialista recomenda que, ao perceber sinais de abuso, a pessoa procure apoio de amigos, familiares ou profissionais de saúde.

Em casos de risco, também é possível buscar orientação pelo telefone 180, canal nacional de atendimento à mulher, que funciona 24 horas por dia. “É um projeto que traz como foco de prevenção a educação. Entendemos que a prevenção salva vidas”, disse Bia Diniz.

Dados alarmantes sobre a violência contra a mulher foram revelados pelo estudo “Elas Vivem: a urgência da vida”, da Rede Observatórios da Segurança. A cada 24 horas em 2025, aproximadamente 12 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência, totalizando 4.558 mulheres vitimadas, o que representa um aumento de 9% em relação a 2024.

O estudo também destacou o crescimento dos casos de violência sexual e estupro, que aumentaram 56,6%, passando de 602 para 961 casos. O perfil das vítimas revela que 56,5% eram crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos. As ocorrências mais frequentes incluem tentativa de feminicídio e agressão, que somaram 1.798 registros.

Compartilhe esta notícia