O vilarejo de Caraíva, localizado no município de Porto Seguro, na Bahia, tem enfrentado um aumento alarmante da violência relacionada a facções criminosas. Conhecido por suas belezas naturais e por ser um destino popular entre turistas, o local agora é marcado por conflitos e insegurança.
Em 2025, Caraíva registrou uma série de incidentes violentos, incluindo assassinatos e toques de recolher, que refletem a expansão de facções criminosas para áreas mais distantes dos centros urbanos. Moradores relatam que a situação se agravou com a presença de grupos que disputam o controle da região, à medida que o turismo cresce.
“”Isso aqui virou um campo de guerra”, resume um morador.”
O delegado Diego Gordilho, da Polícia Federal em Porto Seguro, destacou que a disputa por território e o tráfico de drogas têm se intensificado, especialmente em áreas com alto poder aquisitivo de turistas. A proximidade de Caraíva com a aldeia indígena Xandó também complica a fiscalização, uma vez que a presença policial é limitada.
Além da violência entre facções, a região enfrenta conflitos históricos entre fazendeiros e indígenas, que frequentemente resultam em confrontos armados. Em fevereiro de 2025, duas turistas foram baleadas em uma área de disputa entre indígenas e fazendeiros em Prado, cidade vizinha.
As operações policiais em Caraíva têm sido letais. Em três ações realizadas em 2025, 12 pessoas foram mortas, um número que supera as mortes em operações policiais em estados como Acre e Roraima. O censo de 2022 do IBGE aponta que o distrito de Caraíva tem 13.214 habitantes, embora a população real na área da praia seja menor.
A Polícia da Bahia é a que mais registra mortes em operações no Brasil, com 1.569 ocorrências em 2025. A cidade de Porto Seguro foi classificada como a 6ª com maior taxa de mortes decorrentes de operações policiais no país.
“”Todo mundo conhecia ele aqui”, diz um morador sobre a morte de Victor Cerqueira, conhecido como Vitinho, que foi morto em uma operação policial.”
A morte de Vitinho gerou protestos nas redes sociais, com a família acusando a polícia de erro ao confundir o guia turístico com um traficante. O inquérito sobre o caso foi remetido à Justiça em sigilo.
Moradores relatam que a presença de facções não é nova, mas a situação se tornou mais caótica com a chegada de novos grupos. A facção local, conhecida como Anjos da Morte (ADM), se aliou ao Comando Vermelho e agora disputa território com outra facção ligada ao PCC.
Entre maio e dezembro de 2025, a Polícia Federal apreendeu 27 fuzis em Caraíva, evidenciando a gravidade da situação. A Bahia abriga 21 organizações criminosas, o maior número do país, e a fragmentação do tráfico começou em 2004, após a prisão de uma liderança importante.
Uma turista mineira relatou ter passado horas trancada em uma pousada durante um toque de recolher em 2024, após ouvir tiros. Apesar da violência, muitos turistas continuam a frequentar a região sem perceber os conflitos.
Moradores afirmam que a violência raramente chega ao conhecimento dos turistas, pois não é do interesse das facções que a situação saia do controle. Em épocas de alta temporada, acordos são feitos para evitar conflitos.
Mensagens de facções circulam em grupos de WhatsApp, alertando sobre as consequências para quem alugar casas a membros de facções vizinhas. A situação em Caraíva é um reflexo de um problema maior que afeta diversos destinos turísticos no Nordeste brasileiro.

