Um em Cada Cinco Adolescentes Sofre Violência Sexual na Internet no Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Um em cada cinco adolescentes brasileiros, cerca de três milhões de pessoas, foi vítima de alguma forma de violência sexual em meios digitais, conforme relatório lançado nesta quarta-feira, 4 de março. O estudo, que investigou experiências de abuso e exploração sexual facilitadas por tecnologias digitais, foi realizado pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef) em parceria com a organização internacional ECPAT e a Interpol, e financiado pela Safe Online.

A pesquisa questionou famílias de todo o Brasil sobre as experiências de abuso e exploração sexual que ocorreram em ambientes digitais, seja em situações totalmente virtuais ou combinadas com o uso da internet em encontros presenciais. Em 66% dos relatos, a violência ocorreu apenas em meios digitais, principalmente via redes sociais, aplicativos de mensagens ou plataformas de jogos online. O Instagram e o WhatsApp foram identificados como as plataformas mais utilizadas pelos abusadores para abordar as vítimas.

Segundo Luiza Teixeira, especialista em Proteção Contra as Violências do Unicef no Brasil, os agressores frequentemente buscam as vítimas em plataformas que permitem perfis abertos ou públicos, criando uma relação de confiança para posteriormente realizar o abuso ou exploração em plataformas de conversa fechadas.

A violência mais recorrente, relatada por 14% dos entrevistados, foi a exposição a conteúdo sexual não solicitado, considerada uma estratégia para habituar a vítima a material sexual e facilitar abusos futuros. Além disso, 9% dos adolescentes receberam pedidos para compartilhar imagens íntimas, 5% receberam ofertas de dinheiro ou presentes em troca de imagens íntimas, e 4% sofreram ameaças de divulgação de conteúdos íntimos ou receberam propostas de conversas de cunho sexual.

Outros dados alarmantes revelam que 3% dos adolescentes tiveram imagens íntimas compartilhadas sem consentimento, 3% receberam ofertas de dinheiro ou presentes em troca de encontros sexuais, e 2% tiveram imagens manipuladas com uso de inteligência artificial para a criação de conteúdo sexual falso.

A pesquisa também identificou que, em quase metade dos casos (49%), a violência foi cometida por alguém conhecido da vítima, como amigos, membros da família ou namorados. Considerando apenas esses casos, 52% das vítimas receberam o primeiro contato do agressor por meio online.

Um terço dos adolescentes que sofreram alguma violência não contaram sobre o ocorrido para ninguém, principalmente por não saberem onde buscar ajuda ou por sentimento de constrangimento e vergonha. A falta de informação também contribuiu: 15% das vítimas desconheciam que essas situações configuram crime e 12% achavam que o ocorrido não era “grave o suficiente” para ser denunciada.

Para Luiza Teixeira, o acolhimento constante é essencial, ressaltando que o silêncio dificulta a identificação e o combate a esses casos. A prevenção e a resposta dependem da comunicação aberta e do apoio das famílias.

O estudo revelou que o acesso aos meios digitais é quase universal entre os adolescentes, com 37% sendo expostos a conteúdo sexual de forma acidental. O relatório elaborou orientações para o governo, famílias, escolas, setor de tecnologia e a sociedade em geral, buscando fortalecer a proteção das crianças e adolescentes.

“summary”: [“Um em cada cinco adolescentes no Brasil sofreu violência sexual na internet.

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