Uma mulher que foi sequestrada com a irmã e a mãe no estacionamento do Salvador Shopping, na capital baiana, compartilhou detalhes sobre o crime em entrevista à TV Bahia. O sequestro ocorreu no domingo (15), quando as três foram ao centro de compras. Elas foram resgatadas 12 horas depois, em uma casa abandonada.
Durante o sequestro, a vítima, que preferiu não se identificar, relatou: “Eu ainda fiz o movimento de correr, mas quando olhei ele [o suspeito] gritou que iria ‘estourar’ a cabeça da minha irmã. Ela estava com a arma pontada na cabeça da minha irmã”.
As vítimas foram abordadas no estacionamento à tarde e forçadas a entrar em seu próprio carro, um veículo de luxo. Os suspeitos também entraram no carro e as levaram até o bairro de Plataforma, que fica a 17 km do shopping. Ao chegarem na região, foram levadas para uma casa sem eletricidade, água, piso e banheiro, onde foram obrigadas a realizar diversas transferências bancárias.
A vítima expressou sua dor, afirmando: “É uma dor que não é material, porque o material se repara. Deixaram mágoas, marcas psicológicas, que faz com que a gente perca a confiança no homem”. Segundo ela, seis homens participaram do sequestro, mas ainda não foram presos. Apenas uma mulher, identificada como Emile Quessia Oliveira, foi detida e é apontada como uma das organizadoras do crime.
O advogado das vítimas, Cícero Dantas, explicou que o desaparecimento foi notado pelo filho de uma delas, que havia combinado de se encontrar com as três no shopping. “Nenhum dos três telefones atendiam, todos os telefones tinham o mesmo comportamento: recusavam a ligação ou deixavam chamar. A partir daí, ele percebeu que tinha alguma coisa errada”, contou o advogado.
Os suspeitos utilizaram ameaças psicológicas para forçar as vítimas a realizarem as transferências e as obrigaram a mencionar nomes de parentes para que o resgate fosse solicitado. Emile Quessia Oliveira foi presa em flagrante na segunda-feira (16) pelo crime de extorsão mediante restrição da liberdade, após uma das vítimas transferir uma grande quantia de dinheiro para sua conta bancária.
Ao ser confrontada pela polícia, Emile revelou o endereço onde as vítimas estavam mantidas em cativeiro. Ao chegarem à casa abandonada, os policiais encontraram a idosa e suas duas filhas. Emile já respondia a um processo de 2025 na Justiça da Bahia, relacionado a crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e homicídio. Ela é considerada parte do núcleo financeiro de um grupo criminoso, do qual seu marido, Pedro Vitor, também faz parte e está preso na Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador, investigado por tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, roubo e homicídio. A suspeita é que ele tenha arquitetado o sequestro da prisão e repassado as ordens para Emile e os outros envolvidos.


