Políticos e candidatos brasileiros terão acesso a uma nova ferramenta do YouTube que permite verificar se foram alvo de deepfakes, montagens geradas por inteligência artificial. A liberação começa gradualmente nesta terça-feira, 10 de março de 2026, para uma lista de figuras públicas que ainda não foi divulgada.
A ferramenta, chamada de likeness detection (detecção de similaridades), possibilita que um usuário pesquise se sua imagem ou voz foi utilizada artificialmente em conteúdos no YouTube. O sistema é pessoal, ou seja, um internauta não poderá verificar se outras pessoas foram alvo de deepfakes, respeitando os critérios de sigilo de identidade conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O YouTube informou que o mecanismo já estava disponível desde o ano passado para criadores de conteúdo parceiros da plataforma. A intenção é expandir o acesso a todos os usuários brasileiros ainda em 2026. A detecção de um deepfake, no entanto, não garante a exclusão do material; é necessário confirmar que o vídeo viola as regras de privacidade.
Entre os critérios que o YouTube avalia para a remoção de um deepfake denunciado estão: se o conteúdo é realmente sintético ou alterado, se o uso de IA é explicitamente identificado, se a retratação é realista e a pessoa pode ser claramente identificada, se o material configura paródia ou sátira, e se a pessoa pública é retratada cometendo crimes ou endossando produtos ou candidatos.
A ação do YouTube, embora já planejada, ocorre uma semana após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicar novas regras para o uso de IA nas campanhas eleitorais de 2026. A rede social também informou que a ferramenta de likeness detection não está imediatamente disponível para a Justiça Eleitoral, mas sistemas semelhantes já foram utilizados em parcerias com o poder público em eleições anteriores. Um novo acordo de cooperação para combater a desinformação com deepfakes deve ser firmado nas próximas semanas.


