O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que seu país deseja receber dinheiro e tecnologia em troca de auxiliar as nações do Oriente Médio que buscaram sua experiência na defesa contra ataques de drones promovidos pelo Irã. A declaração foi feita no domingo, 15 de março de 2026.
Zelensky informou que enviou equipes de especialistas para realizar avaliações junto a países do Golfo Pérsico, demonstrando como as defesas anti-drone devem operar. Três equipes foram enviadas aos Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita, além de uma base dos Estados Unidos na Jordânia.
O mandatário destacou que acordos de longo prazo poderão ser firmados com as nações interessadas, mas que o custo da assistência fornecida pela Ucrânia ainda precisa ser discutido. “Para nós, tanto a tecnologia quanto o financiamento são importantes”, disse a repórteres.
As nações do Golfo Pérsico têm utilizado grande parte de seu equipamento de defesa para combater os drones iranianos desde o início de março, quando Teerã iniciou sua contraofensiva após ter seu território alvejado pela coalizão EUA-Israel. O modus operandi padrão na região é gastar enormes quantidades de mísseis de defesa aérea para destruir os equipamentos iranianos, contrastando com o que é visto na Guerra da Ucrânia.
Durante os quatro anos de conflito, a Rússia utilizou amplamente os drones iranianos Shahed-136, conhecidos como ‘suicidas’, na guerra em andamento no Oriente Médio. A experiência fez com que Kiev desenvolvesse uma expertise em lidar com o equipamento, empregando interceptadores de drones baratos, ferramentas eletrônicas de interferência e seus próprios veículos aéreos remotos.
A experiência militar da Ucrânia despertou interesse de diversas nações da Europa, Oriente Médio e África, com Zelensky mencionando que até mesmo os Estados Unidos estão entre os interessados, apesar de Donald Trump ter afirmado não precisar da ajuda de Kiev para derrubar drones.
O presidente ucraniano criticou empresas do seu país que tentaram firmar acordos para equipamentos anti-drones com governos estrangeiros sem a aprovação de Kiev. Embora a assistência da Ucrânia auxilie os inimigos de Teerã, Zelensky defende que seu país não está envolvido no conflito regional. “Não se trata de nos envolvermos em operações. Não estamos em guerra”, destacou.
No entanto, a república islâmica discorda, com o presidente da Comissão Parlamentar de Segurança Nacional, Ebrahim Azizi, afirmando que “ao prestar apoio com drones ao regime israelita, a Ucrânia, que já não tem poder, envolveu-se de facto na guerra e, de acordo com a Carta da ONU, tornou todo o seu território num alvo legítimo para o Irã”.


