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Economia

Aeroportos europeus podem enfrentar escassez de combustível em três semanas

Amanda Rocha
Última atualização: 10 de abril de 2026 16:11
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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A ACI Europe alertou que aeroportos europeus podem enfrentar escassez de combustível de aviação nas próximas três semanas, caso o fluxo pelo Estreito de Ormuz não seja restabelecido. A entidade, que representa os principais aeroportos da União Europeia, informou que as reservas de querosene de aviação estão em queda e que fornecedores já enfrentam dificuldades em garantir entregas para maio.

A situação é agravada pela guerra envolvendo o Irã, que mantém os preços globais de energia elevados. Cerca de 40% do combustível de aviação do mundo passa pelo Estreito de Ormuz, tornando a região crítica para o abastecimento global. A ACI Europe enviou uma carta ao comissário de Transportes da União Europeia, Apostolos Tzitzikostas, alertando que, sem a normalização do tráfego na região em até três semanas, há risco de uma escassez “sistêmica” de combustível nos aeroportos do bloco.

Além da oferta reduzida, a dinâmica do conflito tem pressionado a demanda, com mudanças em rotas aéreas, aumento de consumo e maior custo operacional. O impacto já é visível nos preços, com o querosene de aviação no noroeste europeu saltando de cerca de US$ 750 por tonelada antes do conflito para mais de US$ 1.500, uma alta superior a 100%. Esse aumento levou companhias aéreas a rever suas operações.

A Delta Air Lines anunciou cortes de capacidade de 3,5% e projeta um custo adicional de US$ 2 bilhões em combustível entre abril e junho. Outras empresas, como a Air New Zealand e a LOT Polish Airlines, também reduziram voos e avaliam aumentar tarifas. Essa dinâmica reflete uma crise energética, onde rotas menos lucrativas deixam de operar e passagens tendem a encarecer.

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A preocupação é maior porque a crise ocorre às vésperas do verão europeu, um período de alta demanda turística. A ACI Europe pede uma resposta coordenada da União Europeia, incluindo monitoramento centralizado de estoques e produção de combustível. Atualmente, não há um sistema integrado de avaliação da oferta no bloco, o que pode levar a respostas fragmentadas e restrições pontuais em aeroportos, como já ocorreu na Itália.

O cenário europeu não é isolado, pois países asiáticos, como o Vietnã, já iniciaram racionamento de combustível de aviação, indicando que o choque de oferta pode se espalhar globalmente. Mesmo com a trégua temporária anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os preços do petróleo permanecem elevados, refletindo a percepção de risco prolongado nos mercados.

Analistas afirmam que a duração da crise dependerá da estabilidade no Golfo Pérsico. Caso a interrupção persista, os efeitos podem ir além da aviação, pressionando cadeias logísticas, comércio internacional e crescimento econômico, especialmente na Europa, que é altamente dependente de mobilidade aérea. A crise do querosene de aviação expõe a vulnerabilidade estrutural da dependência global de rotas energéticas em áreas geopoliticamente instáveis.

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