O agronegócio brasileiro enfrenta um momento de aperto financeiro, apesar de seu peso decisivo na economia. A avaliação é de Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, que destaca a combinação de queda nos preços internacionais das commodities e aumento dos custos de produção.
Segundo Moliterno, a receita do setor diminui enquanto as despesas com insumos, logística e financiamento aumentam, comprimindo a margem do produtor. Ele observa que o problema se agrava pela dependência histórica do setor em relação ao crédito. Com os juros elevados, os produtores encontram dificuldades para honrar compromissos ou renegociar dívidas.
““É um setor que trabalha muito, sempre alavancado em cima de financiamentos e o juros alto ainda vai muito contra isso”, disse.”
Moliterno também afirma que muitos produtores estão “estrangulados”, e o impacto já começa a afetar o sistema financeiro, com credores enfrentando atrasos. Ele sugere que será necessário “criar alguma coisa para voltar a dar fôlego para esse setor que é tão importante na nossa economia”.
Autoridades reconhecem o cenário desafiador. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo busca “estender uma mão” ao agro, focando no endividamento agravado por crises climáticas e pela guerra.
A senadora Tereza Cristina classificou o momento como uma “tempestade perfeita”, mencionando juros altos, preços menores das commodities, custos elevados de fertilizantes e barreiras comerciais. A leitura comum é que o setor continua forte, mas precisa de alívio para atravessar esse período de pressão.

