A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou destaque após o governo federal trazer o tema à tona. O economista Aod Cunha afirma que essa medida terá um impacto direto na produtividade do país.
“Eu tenho uma visão muito clara sobre esse movimento de redução da jornada de trabalho, ele tem um efeito de diminuição de produtividade no país”, disse Cunha. Ele explica que, ao reduzir o tempo de trabalho, há um aumento de custos para as empresas, embora reconheça que se trata de uma decisão política e constitucional que o país pode tomar.
O economista comparou a situação do Brasil com outros países que adotaram medidas semelhantes. “Vários países que adotaram na Europa, em determinado momento, essa redução de jornadas de trabalho, fizeram isso com economias que chegaram a US$ 40 mil, US$ 50 mil, US$ 60 mil de renda per capita”, destacou. Em contraste, ele observou que “o Brasil ainda está na casa de pouco mais de US$ 10 mil, US$ 12 mil de renda per capita”, questionando se o momento é adequado para tal mudança.
Outro ponto levantado por Cunha é a generalização da medida para todos os setores econômicos. “Ela trata isso de uma maneira igual, o mercado de trabalho como um todo igual, com os segmentos, seja do setor hospitalar, seja da indústria, seja da química, seja da agropecuária, como a mesma coisa, e é difícil de se imaginar isso”, afirmou.
Quando questionado sobre a possibilidade de incluir benefícios tributários às empresas para compensar os impactos da mudança, o economista mostrou-se contrário. “Nós estamos resolvendo um problema de perda de produtividade, aumento de capacidade de custo, com a velha saída de uma isenção fiscal”, disse. Para ele, essa solução agravaria outros problemas do país, piorando a situação fiscal e afetando a condução da política monetária.
Ao discutir alternativas para aumentar a produtividade no Brasil, Cunha apontou a necessidade de investimentos em educação. “Essa produtividade baixa só vai ser aumentada com esforços, de um lado, na melhoria de qualidade de educação, educação para todos, da rede pública como um todo”, afirmou.
Além disso, ele mencionou a importância de melhorias no sistema tributário e nas instituições. “A gente fez uma reforma tributária que vai ter que ser adequada, mas o sistema tributário precisa melhorar a eficiência das instituições”, concluiu, ressaltando que não há soluções rápidas para os problemas estruturais de produtividade no país.

