O uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para pagamento de dívidas não resolve o problema do endividamento das famílias brasileiras, segundo análise apresentada por Fernando Nakagawa no programa Agora CNN. A medida é vista como um alívio temporário para pessoas inadimplentes.
Atualmente, cerca de 80% das famílias brasileiras enfrentam dificuldades para pagar suas contas. Nakagawa comparou a liberação do FGTS para quitar dívidas a um “band-aid”, um curativo superficial para um problema mais profundo. Ele afirmou:
““O problema do endividamento está em outros lugares. Está no juro elevado, está talvez em uma super oferta de crédito a determinadas faixas de renda.””
O analista também mencionou mudanças no comportamento financeiro das famílias, que têm direcionado recursos a gastos que não existiam há alguns anos, como plataformas de apostas esportivas.
Outro ponto crítico levantado é que essa medida deturpa a finalidade original do FGTS. Criado há 60 anos, o fundo tem como objetivos principais proteger o trabalhador em caso de demissão sem justa causa, doença grave ou aposentadoria, e financiar projetos de interesse social, como infraestrutura urbana, saneamento básico e habitação popular.
Segundo Nakagawa,
““Estas dívidas não se encaixam em nenhuma dessas situações. É cartão de crédito, é cheque especial, são outras situações.””
Ele argumentou que o uso do fundo para pagar dívidas de consumo não se alinha com os objetivos previstos na lei desde 1966.
A conclusão do analista é que a medida não resolve o endividamento estrutural das famílias brasileiras e não cumpre os propósitos sociais para os quais o FGTS foi criado, representando apenas uma solução paliativa para um problema que exige ações mais profundas e estruturadas.

