Ataque perto de usina nuclear no Irã gera temor de desastre em meio à guerra

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O regime do Irã atacou, neste sábado (4), áreas residenciais de países do Oriente Médio e acusou Israel e Estados Unidos de bombardearem regiões próximas à usina nuclear de Bushehr, localizada no sul do Irã e que opera com tecnologia russa.

O Irã informou que este é o quarto ataque na área em volta da usina desde o início da guerra. Um funcionário morreu e a Rússia, que apoia operacionalmente o complexo, decidiu retirar quase 200 trabalhadores do local.

O governo iraniano responsabiliza os Estados Unidos e Israel pelo ataque, mas até o momento, os dois países não se manifestaram. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) foi notificada e confirmou que não houve aumento nos níveis de radiação.

““Instalações nucleares não podem nunca ser atacadas”, disse Rafael Grossi, diretor da AIEA, expressando preocupação com o incidente e cobrando restrições nas atividades militares ao redor do local.”

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Israel e Estados Unidos mantiveram a ofensiva contra alvos no Irã, incluindo um ataque no norte de Teerã que atingiu uma universidade. O ministro da Ciência do Irã visitou os escombros e criticou os ataques a instituições de ensino.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os bombardeios deste sábado focaram na indústria petroquímica do Irã, com os militares israelenses alegando que os alvos eram instalações que fabricavam materiais para explosivos. A imprensa estatal iraniana reportou que pelo menos cinco pessoas morreram e 170 ficaram feridas no complexo petroquímico atingido.

Israel também atacou o Líbano, onde bases do grupo extremista Hezbollah, financiado pelo Irã, estão localizadas. Em Tiro, no sul do Líbano, escombros foram vistos, e na capital, explosões destruíram um posto de gasolina em um subúrbio de Beirute. O conflito já forçou o deslocamento de um quinto da população libanesa, com mais de 1300 mortos.

““Lá não tinha armas, nem foguetes. Éramos quatro famílias vivendo ali”, relatou Ibrahim, tio de uma das vítimas, cuja casa foi atingida.”

Na Europa, os governos continuam pressionando por uma saída negociada e descartam uma operação militar para reabrir o estreito de Ormuz, onde cerca de 2 mil embarcações estão paradas. O Irã tem liberado poucas embarcações, cerca de 150 desde o início da guerra, um número muito inferior ao que costumava passar diariamente.

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Além disso, a TV estatal do Irã noticiou um ataque a um cargueiro israelense na região, enquanto forças iranianas realizaram novas ofensivas contra vizinhos do Golfo. No Iraque, houve destruição na cidade de Basra, e nos Emirados Árabes, o ministério da Defesa informou que abateu 23 mísseis balísticos e 56 drones do Irã.

No Barein, a artilharia iraniana atingiu carros e áreas civis. Em Israel, destroços de um míssil iraniano caíram sobre uma escola em Ramat Gan, a cerca de 130 km de Tel Aviv, destruindo uma casa onde um morador escapou por um milagre. Em Petah Tikva, prédios residenciais também foram atingidos, refletindo a angústia causada pela guerra, que não dá sinais de um fim.

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