O aumento dos acidentes com motocicletas no estado do Rio de Janeiro tem gerado um impacto significativo nos bancos de sangue, resultando em queda nos estoques e necessidade constante de reposição. Dados do Corpo de Bombeiros indicam que, entre janeiro e o início de abril de 2026, houve um crescimento de 7% nas colisões com motos em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 9.236 registros.
Com a maior demanda por transfusões, especialmente em casos graves, os hemocentros estão intensificando suas campanhas de doação, principalmente em períodos de maior circulação, como feriados prolongados. Em acidentes mais graves, um único paciente pode necessitar de 20 a 70 bolsas de sangue. A pressão sobre o sistema já é sentida em unidades de referência, como o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo, que enfrenta uma queda crítica nos estoques.
““Desde 2021, tivemos aumento de casos em torno de 30% ao ano, o que impacta o nosso atendimento. O acidentado de motocicleta sofre lesões graves, perda de sangue e necessita de um tempo maior de internação. Precisamos repor constantemente os estoques e o mais rapidamente possível”, afirmou o coordenador-médico do Centro de Trauma do hospital, Marcelo Pessoa.”
A unidade registra cerca de 600 transfusões mensais e realiza, em média, 500 cirurgias por mês relacionadas a acidentes com motos. Em um único fim de semana, foram atendidas 172 ocorrências desse tipo, muitas com pacientes em estado grave. Além do aumento nas colisões, outros tipos de ocorrências também cresceram. Entre janeiro e abril deste ano, foram registrados 864 atropelamentos envolvendo motos (contra 809 em 2025) e 4.645 quedas de motociclistas (contra 4.237 no ano anterior).
Em São Gonçalo, onde está localizado o Hospital Alberto Torres, os números também aumentaram. As colisões passaram de 546 para 615 no mesmo período, enquanto os atropelamentos saltaram de 43 para 130 casos. A alta demanda por sangue tem exposto um problema recorrente: o número de doadores não acompanha o crescimento das internações.
““Cada doação é fundamental, porque o sangue passa por um processo de extração dos hemocomponentes, como plaqueta e plasma, podendo beneficiar até quatro pessoas”, explicou a coordenadora do banco de sangue do Heat, Renata Calheiros.”
Por trás das estatísticas, estão histórias de vítimas que enfrentam longos períodos de recuperação. O socorrista Everson de Moraes, por exemplo, passou a ser paciente após sofrer um acidente de moto.
““Sempre vi muitos casos nas rodovias e nunca imaginei estar do outro lado. Muitos acidentes poderiam ser evitados e, por isso, é importante ter consciência, porque acidentes matam, destroem sonhos e desfazem famílias”, disse.”
Outro caso é o de Wenderson Conceição Vieira, de 19 anos, que perdeu dois dedos do pé após um acidente.
““Achei que o risco era pequeno, mas depois que aconteceu comigo, vi que pode ser fatal e só vou andar com capacete e tênis e com toda a segurança. Comigo poderia ter sido ‘só um arranhão básico’”, contou.”
Diante da pressão sobre os estoques, os hemocentros reforçam o apelo por doações. Para doar, é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 kg, estar alimentado e apresentar documento com foto. As doações podem ser feitas em unidades como o Hemorio, no Centro do Rio, e em bancos de sangue distribuídos pela capital e pela Região Metropolitana. A recomendação dos especialistas é que a população doe regularmente para evitar desabastecimento e garantir o atendimento a vítimas de acidentes e outros pacientes que dependem de transfusões.
Serviço: Hemorio: Rua Frei Caneca, 8, Centro – Rio de Janeiro; GSH Banco de Sangue Serum: Av. Marechal Floriano, 99, Centro – Rio de Janeiro; Av. Ayrton Senna, 2150, Barra da Tijuca – Rio de Janeiro; Av. Henrique Duque Estrada Meyer (Hospital da Posse) – Nova Iguaçu; Rua Doutor Paulo Hervê, 1130, Bingen – Petrópolis.

