O vírus sincicial respiratório (VSR), causador de bronquiolite e pneumonia, é responsável pelo aumento de internações de crianças com menos de dois anos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). A informação foi divulgada no Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026.
A alta nas hospitalizações foi registrada entre os dias 5 e 11 de abril nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. O VSR representa 80% dos casos de bronquiolite e 60% dos episódios de pneumonia em bebês e crianças pequenas. A infecção pode levar a hospitalizações e à morte, especialmente entre prematuros, que têm uma taxa de mortalidade até sete vezes maior.
““O VSR é um dos principais responsáveis por internações por Srag em crianças pequenas, e uma das principais causas de bronquiolite. Por isso, é essencial que gestantes a partir da 28ª semana tomem a vacina contra o vírus para que seus bebês fiquem protegidos nos primeiros meses de vida”, explicou Tatiana Portella, pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz).”
O boletim indica que todos os estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste estão com alta de casos de VSR. Na região Norte, o aumento ocorre no Acre, Pará, Tocantins e Roraima. No Nordeste, o crescimento está concentrado no Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.
O Brasil tem aprovado vacinas e medicamentos para proteger os bebês contra o VSR. A vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B foi aprovada para uso no Brasil em abril de 2024 e é indicada para mulheres na 28ª semana de gravidez. A dose é única e visa oferecer proteção nos primeiros meses de vida.
Em fevereiro de 2025, a vacina foi incorporada ao SUS e começou a ser aplicada em dezembro do mesmo ano. Em ensaios clínicos, a vacina apresentou 81,8% de eficácia até o terceiro mês de vida do bebê e 69,4% até o sexto mês. Desde fevereiro de 2026, o SUS oferece o imunizante nirsevimabe, destinado a todos os bebês prematuros nascidos a partir de agosto de 2025, com menos de 37 semanas de gestação e até seis meses de idade.
A estratégia também abrange crianças de até dois anos que apresentam maior risco de complicações, como aquelas com broncodisplasia pulmonar, cardiopatias congênitas, malformações das vias aéreas, doenças neuromusculares, fibrose cística, imunodeficiências graves ou síndrome de Down.
Na rede privada, o nirsevimabe é coberto pelos planos de saúde e recomendado para todos os bebês, tanto prematuros quanto aqueles nascidos no tempo esperado da gestação. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da faixa etária da vacina Arexvy para a população com mais de 18 anos, que antes era indicada apenas para idosos e pessoas com mais de 50 anos com comorbidades.
A vacina Arexvy, da farmacêutica GSK, recebeu aprovação para uso no Brasil em 2023 e, atualmente, é aplicada apenas na rede particular, com custo aproximado de R$ 1.600.

