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Ciência

Bebês neandertais cresciam mais rápido que humanos, revela estudo

Amanda Rocha
Última atualização: 27 de abril de 2026 04:01
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Uma equipe científica sugere que os bebês neandertais cresciam muito mais rápido do que os bebês humanos, uma característica que provavelmente desenvolveram para sobreviver em ambientes hostis. A descoberta foi publicada na revista Current Biology e baseia-se na análise de um esqueleto infantil neandertal encontrado em uma caverna no norte de Israel.

O esqueleto em questão pertence a Amud 7, um bebê neandertal (Homo neanderthalensis) de seis meses que viveu entre 51.000 e 56.000 anos atrás na caverna de Amud, próxima ao mar da Galileia. Seus restos, que incluem 111 ossos, foram encontrados por arqueólogos em 1992, mas somente agora foram analisados detalhadamente para estimar sua idade com precisão.

Com uma idade estimada de seis meses, Amud 7 tinha o tamanho corporal de uma criança humana entre 12 e 14 meses. A pesquisa também revelou que o volume craniano era maior do que o esperado para sua idade, e que seus membros eram maiores do que os de qualquer bebê equivalente de Homo sapiens.

“”A descoberta do esqueleto de Amud 7 muda radicalmente nossa visão da infância neandertal”, afirmou Ella Been, professora do Ono Academic College, em Israel.”

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A chave para estimar a idade de Amud 7 estava nos dentes. Os cientistas analisaram as chamadas “marcas diárias” no esmalte dentário em formação, que permanecem por milhares de anos. Been explicou: “Acredito que a idade histológica dos dentes seja mais precisa do que a idade calculada a partir do volume dos ossos longos ou da cavidade endocraniana ao estimar uma idade tão precoce”.

Pesquisas anteriores sobre outros três bebês neandertais mostraram o mesmo padrão de crescimento acelerado e evidenciaram que os alimentos sólidos eram incorporados à dieta por volta dos cinco ou seis meses de vida. Been afirmou que Amud 7 não é um caso isolado: “Compreender esse padrão é fundamental para entender quem eram os neandertais e como eles se adaptavam ao seu ambiente”.

O antropólogo físico Daniel García, da Universidade Complutense de Madri, que não participou do estudo, comentou que “nem todos aceitam que os neandertais nascessem com essas diferenças”, mas ressaltou que o caso de Amud 7 “pode ser exclusivo do Oriente Médio, mas há outros casos na França e na Rússia, e todos mostram um desenvolvimento semelhante”.

O contraste entre a idade real e o tamanho corporal de Amud 7 levanta a questão de por que os bebês neandertais se desenvolviam inicialmente de forma tão diferente dos humanos modernos. Uma possível explicação aponta para a adaptação ao clima, já que os neandertais viviam em regiões frequentemente expostas a longos períodos de frio intenso.

Os pesquisadores sugerem que o maior tamanho corporal dos bebês neandertais não permite concluir que eles andassem, falassem ou se tornassem independentes antes dos bebês modernos. No entanto, é provável que esse ritmo diferenciado de crescimento tenha se equilibrado com o tempo, e que o desenvolvimento dos dentes e do corpo entre neandertais e Homo sapiens tenha convergido por volta dos sete anos de idade.

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