O Brasil assumiu nesta quinta-feira (9) a presidência da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), uma aliança que reúne mais de 20 países, a maioria africanos. O discurso do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enfatizou a importância de manter a parte Sul do Oceano Atlântico livre de guerras e disputas geopolíticas, além de promover a sustentabilidade ambiental.
A reunião ocorreu na Escola Naval, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em um contexto de conflitos armados em locais como a Faixa de Gaza, Irã, Líbano e Ucrânia. Vieira rejeitou a “importação” de rivalidades que não atendem aos interesses dos povos da região.
““Canais, golfos, estreitos, mares e oceanos devem nos aproximar e não ser motivo de discórdia”, declarou o chefe da diplomacia brasileira.”
O ministro destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado com o aumento dos conflitos armados, o maior desde a Segunda Guerra Mundial. Vieira também mencionou que a alta nos preços de energia e alimentos é consequência das tensões na Ucrânia e no Oriente Médio, afetando desproporcionalmente as economias de países mais pobres.
A Zopacas é composta por 24 países, incluindo Brasil, Argentina e Uruguai, na América do Sul, e 21 nações da costa oeste africana, do Senegal à África do Sul, incluindo Cabo Verde. A presidência rotativa do Brasil terá duração de três anos, sucedendo Cabo Verde.
O Ministério das Relações Exteriores informou que a zona de paz e cooperação é uma prioridade na política externa do Brasil, que foi um dos idealizadores da Zopacas há 40 anos. Os principais objetivos incluem um Atlântico Sul livre de armas nucleares e de destruição em massa.
““Reafirma o apreço pela paz, em um mundo marcado pelo recrudescimento dos conflitos”, sustentou Vieira.”
Outros pontos abordados foram a segurança marítima, o combate ao tráfico de drogas, pirataria e pesca ilegal, além da conservação ambiental. Vieira anunciou a intenção de aprovar o Santuário de Baleias do Atlântico Sul na próxima reunião da Comissão Internacional da Baleia.
O ministro também antecipou a assinatura da Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul, que estabelece medidas de prevenção e controle de danos ao mar.
““Os países da nossa região estão dispostos a assumir compromissos ambiciosos em favor da proteção do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável”, afirmou.”
A Zopacas foi criada em 1986 pela ONU para manter as costas do Atlântico Sul livres de armas nucleares. Além de parcerias em defesa e segurança, busca entendimentos em áreas como meio ambiente e desenvolvimento.
O Brasil, com cerca de 10,9 mil quilômetros de litoral banhado pelo Atlântico Sul, é o país com a maior extensão costeira na região. A Agência Brasileira de Cooperação (ABC) atua em projetos que servem de exemplo para políticas públicas em combate à fome, desenvolvimento econômico e avanços tecnológicos na agricultura.
A embaixadora Luiza Lopes da Silva, diretora-adjunta da ABC, destacou que o Brasil pode atuar sob demanda dos países interessados, que escolhem as prioridades que consideram estratégicas.

