O Banco de Brasília (BRB) convocou uma assembleia para a manhã desta quarta-feira (22) com o objetivo de votar a ampliação do capital social da instituição. Essa medida pode contribuir para a recuperação da situação patrimonial do banco.
Uma reunião anterior com a mesma pauta havia sido marcada para 18 de março, mas foi cancelada na noite anterior devido à insegurança jurídica gerada por decisões judiciais sobre imóveis públicos que o governo do Distrito Federal pretende utilizar para capitalizar o banco.
A assembleia também servirá para homologar a indicação do atual presidente, Nelson Antônio de Souza, e do executivo Joaquim Lima de Oliveira como conselheiros do BRB. Essa formalização está pendente desde o final do ano passado.
Além disso, o BRB anunciou na segunda-feira (20) que assinou um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento voltado à transferência de ativos atualmente detidos pela instituição. Os ativos envolvidos na transação têm origem em operações recebidas pelo BRB do Banco Master.
O valor de referência da operação é de até R$ 15 bilhões, sendo que entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista. O restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do fundo que será criado para administrar e monetizar esses ativos.
A governadora Celina Leão (PP) comentou sobre o acordo nesta terça-feira (21), afirmando que ele demonstra a “responsabilidade e seriedade como nós estamos tratando esse momento”.
O BRB enfrenta uma crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, operação que está sendo investigada sob suspeita de fraude. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central após investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
As operações malsucedidas com o Banco Master fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB, que é a reserva de segurança necessária para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária. O Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e intensificou o monitoramento sobre a situação financeira e a governança da instituição, aumentando a pressão sobre a atual gestão do banco público.
Apesar de o BRB afirmar possuir solidez e um plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado em relação à sua situação.


