Nos últimos anos, a relação das pessoas com a comida vem passando por uma transformação silenciosa e profunda. O avanço de medicamentos para emagrecimento, como o Ozempic e o Mounjaro, acelerou um movimento por refeições menores, maior atenção à qualidade nutricional e consumo consciente.
Esse novo comportamento trouxe desafios para marcas tradicionais do setor alimentício, que precisaram rever seus formatos, porções e propostas. Essa mudança reflete um novo modo de viver, comer e se relacionar com o próprio corpo.
A chef Adriana Carpegiani, da Congelados da Sônia, admite que o comportamento alimentar mudou muito.
““Hoje, vemos pessoas que comem menos volume, mas precisam comer melhor. Com o uso das canetas emagrecedoras, a alimentação deixa de ser apenas quantidade e passa a ser estratégia”,”
diz ela, que criou uma linha específica com refeições equilibradas, ricas em proteína e nutrientes essenciais.
A chef Andréa Tinoco, do Pato com Laranja, aponta que muitos clientes buscam uma experiência gastronômica especial, mas valorizam mais leveza, equilíbrio e porções adequadas.
““Isso nos leva a pensar menus com mais frescor, técnica e sofisticação, sem excessos. A boa gastronomia continua tendo muito espaço, mas cada vez mais ligada à qualidade da experiência do que ao volume”,”
afirma.
Valdeci Castro, gerente do Rancho Português São Paulo, observa que as receitas estão sendo divididas por mais pessoas.
““O cenário atual é este, as pessoas têm comido menos e estão com menos apetite. Mas esse comportamento tem seu lado positivo, nossos clientes têm degustado mais opções de entradas, pratos e sobremesas para compartilhar no centro da mesa”,”
diz ele sobre a nova tendência à mesa.
O chef Ignácio Peixoto, do contemporâneo Itsáry, já trabalha com essa mudança em seu cardápio.
““O menu já nasce para esse público, pois criei várias entradas leves, e a composição do cardápio é exatamente pensada para uma experiência compartilhada e mais leve”.”
As novidades do Baduk, no Leblon, também seguem essa linha. Na Ala dos sanduíches, o de Pastrami (R$ 54/R$ 76 o duplo) foi adaptado, podendo ser pedido no tamanho pequeno de 100g, e no grande, 200g.
““Tudo para agradar a paladares cada vez mais fracionados e de olho na balança”,”
afirmam os sócios Daniela Branco, Erik Nako, Cristiano Lanna e Andre Korenblum.

