No dia 8 de abril, em Cariacica, Grande Vitória, Francisca Chaguiana Dias Viana, 31 anos, e Daniele Toneto, 45 anos, foram executadas pelo policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale. Menos de 20 minutos antes do crime, Francisca fez uma ligação para o 190, o telefone de emergência da Polícia Militar.
A ligação foi feita às 9h46 e a informação foi confirmada pela irmã de Francisca, que ficou com o celular da vítima após sua morte. Às 10h02, uma viatura chegou ao local, e Francisca acenou para os policiais. Menos de um minuto depois, o cabo do Vale apareceu com outros quatro policiais, já armado.
O desentendimento que levou à execução pode ter sido motivado por uma discussão sobre ar-condicionado. A irmã de Francisca relatou que o casal estava considerando levar a ex-mulher do PM à Justiça por problemas relacionados à cobrança de energia entre os apartamentos.
“”Eu quero Justiça, eu e a minha família, o desejo de todos”, disse a irmã de Francisca.”
A ex-mulher do policial, que não se identificou, afirmou que ligou para o cabo do Vale após ser agredida pelo casal. Ela relatou que a discussão começou quando mencionaram seu filho autista. Após a ligação, o cabo e os outros policiais foram ao local, onde testemunhas afirmaram que houve uma discussão antes dos disparos.
Daniele morreu no local, enquanto Francisca foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. O cabo do Vale foi preso e a Justiça decretou sua prisão preventiva. A Polícia Militar também iniciou um processo demissionário contra ele.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ríodo Lopes Rubim, afirmou que o cabo feriu a honra da instituição e que o prazo para conclusão do inquérito militar é de 20 dias. Outros policiais que presenciaram o crime também foram afastados de suas funções.
Francisca Chaguiana foi enterrada no Cemitério Jardim da Saudade, em Nova Rosa da Penha, e Daniele foi sepultada no dia 9, em Cariacica.


