O acidente com césio-137, ocorrido em Goiânia, é considerado o maior acidente radiológico do mundo. O evento, que aconteceu em 1987, resultou na morte de quatro pessoas e afetou mais de mil indivíduos. A tragédia ganhou nova atenção com o lançamento da minissérie ‘Emergência Radioativa’ na Netflix.
A contaminação foi classificada como nível 5 pela Comissão Nacional de Energia Nuclear, em uma escala que vai até 7. O acidente poderia ter causado mais vítimas se não fosse a rápida intervenção de moradores e especialistas, como o físico Walter Mendes.
A seguir, apresentamos a cronologia do acidente, conforme o livro ‘Césio 137’, da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás:
13 de setembro de 1987: Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiraram um aparelho de radioterapia abandonado das ruínas do IGR, no Setor Central, com a intenção de vender a peça. Eles removeram o lacre da cápsula que continha a substância desconhecida.
18 de setembro: Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho, comprou a peça e notou um brilho azul. Ele levou a cápsula para casa e começou a distribuí-la entre amigos e familiares.
28 de setembro: Após o surgimento de problemas de saúde entre as pessoas que manipularam a substância, Maria Gabriela, esposa de Devair, levou a cápsula à Vigilância Sanitária.
29 de setembro: O físico Walter Mendes Ferreira analisou a substância e identificou o risco, orientando a evacuação imediata. O acidente foi notificado à Comissão Nacional de Energia Nuclear e à Agência Internacional de Energia Atômica.
30 de setembro: Técnicos da CNEN chegaram a Goiânia e mapearam locais contaminados, com o físico José de Júlio Rozental coordenando as ações de controle.
Outubro de 1987: O Estádio Olímpico foi utilizado para triagem e monitoramento de 112.800 pessoas. Destas, 249 foram identificadas com contaminação, e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente.
23 de outubro: Morrem Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, e Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair. Leide foi a mais afetada por ter brincado com o pó de césio.
25 de outubro: Os rejeitos do césio-137 foram armazenados em um depósito provisório em Abadia de Goiás.
27 de outubro: Israel Batista dos Santos, de 20 anos, e Admilson Alves de Souza, de 18 anos, também morreram em decorrência do acidente.
30 de setembro a 21 de dezembro: O processo de descontaminação de Goiânia envolveu 40 técnicos da CNEN, resultando na demolição de sete casas e evacuação de 41.
10 de março de 1988: O presidente da CNEN, Rex Nazaré Alves, apresentou o ‘Relatório do Acidente Radiológico de Goiânia’ em uma audiência no Congresso Nacional.
1989: Foi decidido que o repositório em Abadia de Goiás seria o local definitivo para os rejeitos radioativos. O Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste foi criado.
5 de junho de 1997: Inauguração do Depósito de Rejeitos Radioativos de Abadia de Goiás, que abriga 40% dos rejeitos menos radioativos e 60% dos efetivamente radioativos, incluindo os restos da fonte principal do acidente.



