O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reunirá nesta segunda-feira, 27, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, após responsabilizar os Estados Unidos pelo fracasso das últimas negociações no Paquistão, realizadas em 11 de abril.
Araghchi desembarcou em São Petersburgo para o encontro. Ele afirmou que a abordagem dos Estados Unidos impediu que a rodada anterior de negociações, apesar dos avanços, alcançasse os objetivos desejados. O chanceler destacou que a delegação americana apresentou “exigências excessivas”.
“A passagem segura pelo Estreito de Ormuz é uma questão global importante”, disse Araghchi, que também mencionou que o Irã mantém fechada essa rota marítima em resposta ao bloqueio americano aos portos do país.
Antes de viajar à Rússia, Araghchi visitou Omã e Islamabad, no Paquistão, onde ocorreram as primeiras rodadas de conversas. Ele também conversou por telefone com seu homólogo turco, Hakan Fidan.
O presidente americano, Donald Trump, descartou a viagem de seus enviados a Islamabad, mas reiterou que a guerra “terminará em breve e sairemos muito vitoriosos”. A agência de notícias iraniana Fars informou que Teerã enviou “mensagens escritas” a Washington para definir suas “linhas vermelhas”, incluindo a questão do programa nuclear e o controle sobre o Estreito de Ormuz.
O portal Axios noticiou que o Irã enviou uma nova proposta para reabrir a passagem e encerrar a guerra, mas adiaria as negociações sobre o enriquecimento de urânio. A agência estatal iraniana IRNA mencionou o relato do portal, sem negar as informações.
A trégua na guerra contra o Irã é respeitada até o momento, mas seu impacto sobre a economia global persiste. Araghchi se reuniu no sábado, em Islamabad, com uma delegação paquistanesa, incluindo o comandante das Forças Armadas do país, Asim Munir, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chanceler Ishaq Dar.
A Guarda Revolucionária iraniana informou que não pretende flexibilizar o bloqueio e que o controle do Estreito de Ormuz é sua “estratégia definitiva” na guerra contra os Estados Unidos.
No Líbano, Israel e a milícia libanesa Hezbollah trocaram acusações sobre a violação da trégua. Ataques israelenses no sul do país deixaram 14 mortos, incluindo duas crianças. O Exército de Israel informou que um soldado morreu e seis ficaram feridos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que suas forças lutam “vigorosamente” contra a milícia xiita. O Hezbollah, por sua vez, anunciou que responderia às violações israelenses e à “ocupação contínua” do Líbano.


