A China registrou um aumento de 14,9% nas importações de soja em março de 2026, totalizando 4,02 milhões de toneladas, em comparação com 3,5 milhões no mesmo mês do ano anterior. No entanto, esse crescimento ficou aquém das expectativas de analistas, que previam cerca de 6,4 milhões de toneladas, devido a atrasos nos embarques do Brasil.
Os atrasos foram causados por inspeções mais rigorosas para descartar contaminação, conforme afirmou Rosa Wang, analista da Shanghai JC Intelligence Co. Ela destacou que as importações de março foram prejudicadas por controles fitossanitários mais rigorosos.
Apesar do aumento em relação ao ano anterior, as chegadas de soja ao maior comprador do mundo totalizaram 16,58 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 3,1% em relação aos 17,11 milhões de toneladas do mesmo período do ano passado.
As verificações mais rigorosas foram motivadas por descobertas de grãos com pesticidas e fungicidas nas remessas, além de danos causados pelo calor e a presença de insetos vivos. A expectativa é que as importações se recuperem nos próximos meses, com a chegada de mais remessas dos EUA e a safra recorde do Brasil.
Liu Jinlu, pesquisador agrícola da Guoyuan Futures, afirmou que de abril a junho, as chegadas de soja devem ultrapassar a média de 10 milhões de toneladas por mês. Ele também alertou sobre a necessidade de monitorar o clima de plantio de soja nos EUA e possíveis interrupções logísticas, além da demanda constante do setor pecuário, que pode manter os preços em uma faixa com amplas flutuações.
Operadores do mercado aguardam a cúpula de maio entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em busca de pistas sobre a futura demanda da China pela soja norte-americana. A tensão comercial atrasou as compras chinesas da safra de soja de outono dos EUA até o final de outubro, após a reunião dos líderes, e desde então, a China importou cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos EUA.


