A China criticou nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, um plano da União Europeia para proteger a indústria do bloco contra a concorrência do país asiático. O governo chinês prometeu adotar medidas de represália caso a iniciativa seja implementada.
A União Europeia apresentou em março suas regras Made in Europe, que exigem que empresas que buscam acesso a fundos públicos em setores estratégicos, como automóveis, tecnologia verde e aço, incorporem um mínimo de componentes europeus. Essa proposta visa recuperar a vantagem competitiva da Europa, reduzir o declínio industrial e evitar a perda de empregos.
O Ministério do Comércio chinês informou que enviou comentários à Comissão Europeia, expressando “preocupações sérias” sobre o que qualificou de “discriminação sistêmica”. A pasta afirmou:
““Se a União Europeia avançar com esta legislação e, portanto, prejudicar os interesses das empresas chinesas, a China não terá outra opção exceto adotar represálias para salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos de suas empresas.””
Empresas europeias já manifestaram preocupação com a concorrência desigual de seus rivais chineses, que são fortemente subsidiados pelo Estado comunista. A proposta europeia tem como alvo os fabricantes chineses de baterias e veículos elétricos, exigindo que empresas estrangeiras se associem a companhias europeias e transfiram tecnologia ao se instalarem em um dos 27 países do bloco.
O plano Buy EU, ainda em negociação, pretende direcionar parte dos mais de US$ 2,3 trilhões anuais em compras públicas para produtos fabricados localmente, com exigências de até 70% de componentes europeus em veículos elétricos. A meta é elevar a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) europeu de 14% para 20%.
Além disso, regras de auxílio estatal foram flexibilizadas, permitindo financiamento a setores estratégicos nos países-membros. Novas iniciativas ampliam o uso de subsídios, incentivos e compras públicas como instrumentos de política industrial. O European Chips Act, por exemplo, mobiliza mais de US$ 49 bilhões em investimentos públicos e privados até 2030, visando dobrar a participação europeia na produção global de chips, que atualmente é de cerca de 10%.
A Câmara de Comércio Chinesa na União Europeia já advertiu que o plano representa uma guinada em direção ao protecionismo, o que pode afetar a cooperação comercial entre a Europa e a China.


