O influenciador digital Chrys Dias foi preso na operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026. A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão em menos de dois anos.
A ação ocorreu simultaneamente em nove estados e no Distrito Federal, com o apoio da Polícia Militar de São Paulo. Além de Chrys Dias, foram presos os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei.
As investigações indicam que a organização criminosa utilizava o setor de entretenimento e a indústria musical para ocultar a origem de recursos provenientes de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas digitais. Influenciadores e artistas desempenhavam um papel central no esquema, atuando como uma espécie de “escudo de conformidade”.
A operação é um desdobramento da investigação conhecida como Narco Bet e visa desarticular a estrutura financeira do grupo criminoso. O modelo de operação envolvia a pulverização de recursos por meio de vendas de ingressos e produtos, dissimulação financeira com uso de criptomoedas e dinheiro em espécie, e a interposição de terceiros, incluindo familiares e “laranjas”.
As investigações também apontam uma conexão da organização com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Um dos principais nomes citados é Frank Magrini, identificado como operador financeiro do grupo e com antecedentes por tráfico de drogas e roubos a bancos.
A Justiça expediu 39 mandados de prisão temporária, dos quais 33 foram cumpridos inicialmente, além de 45 mandados de busca e apreensão. Mais de 200 policiais participaram da operação.
A defesa de Chrys Dias ainda não se manifestou. A defesa de MC Ryan SP informou que não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, impossibilitando uma manifestação específica. A defesa ressaltou a integridade de MC Ryan e a lisura de suas transações financeiras.
A defesa de MC Poze do Rodo afirmou desconhecer os autos ou o teor do mandado de prisão e que se manifestará na Justiça assim que tiver acesso. A defesa de Raphael Sousa Oliveira esclareceu que seu vínculo com os fatos investigados decorre da prestação de serviços publicitários, afirmando que ele não integra organização criminosa e sempre atuou dentro da legalidade.


