A grife italiana Dolce & Gabbana anunciou a saída de seu cofundador, Stefano Gabbana, do cargo de presidente do conselho em 10 de abril de 2026. A mudança ocorre em um momento de crescente pressão sobre o setor global de luxo, enquanto a empresa se prepara para negociações com credores.
Segundo comunicado da companhia, Gabbana deixou suas funções de gestão no início do ano como parte de uma “evolução natural” da estrutura organizacional, mas continuará à frente da direção criativa da marca.
A saída acontece em meio a uma fase desafiadora para a indústria de luxo, que enfrenta fatores como crescimento econômico mais fraco, inflação persistente em economias-chave e instabilidade geopolítica. Nos últimos meses, analistas de instituições financeiras têm revisado para baixo as projeções de crescimento do setor.
O consumo de itens de alto valor, que depende da confiança do consumidor, tem sido afetado por incertezas globais, incluindo a guerra no Oriente Médio e a volatilidade nos preços de energia, reduzindo a disposição de compra mesmo entre consumidores de alta renda.
No caso da Dolce & Gabbana, a empresa confirmou que está em tratativas com instituições financeiras, embora não tenha detalhado os termos. O movimento sugere uma necessidade de reequilíbrio financeiro em meio à queda de receitas e ao aumento de custos.
A marca, fundada em 1985 por Domenico Dolce e Stefano Gabbana, permanece sob controle familiar, com cada um dos fundadores detendo cerca de 40% do negócio. Apesar da saída da gestão, Gabbana seguirá como figura central na criação, área considerada o principal ativo da marca.
Nos últimos anos, a Dolce & Gabbana tem buscado diversificar suas fontes de receita, investindo em fragrâncias, cosméticos, decoração e óculos. Em março, renovou um acordo de licenciamento com a EssilorLuxottica até 2050 para produção e distribuição de óculos.
A trajetória da marca também é marcada por polêmicas, incluindo críticas por campanhas consideradas ofensivas e discussões sobre diversidade e inclusão na indústria da moda.
A saída de Gabbana do comando executivo ocorre em um momento de transformação estrutural do setor de luxo, que enfrenta um ambiente mais complexo e consumidores mais cautelosos.

