Mais de um mês após o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, cresce o receio de que o conflito no Oriente Médio se expanda. A guerra já se alastrou para mais de 10 países da região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Iraque, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Omã, Azerbaijão, Chipre, Síria, Catar e Líbano, além da Cisjordânia ocupada.
A professora emérita de história internacional Margaret MacMillan, da Universidade de Oxford, discute a natureza imprevisível das guerras. Em entrevista ao programa de rádio The Global Story, ela afirma que muitos eventos que levam a guerras são acidentais e resultam de subestimação dos oponentes. MacMillan compara a situação a uma briga no pátio da escola, onde um pequeno incidente pode escalar rapidamente.
“”Pense nisso, às vezes, como uma espécie de briga no pátio da escola.””
O professor de história internacional Joe Maiolo, do King’s College de Londres, define uma guerra mundial como um conflito que envolve todas as grandes potências. Ele observa que, embora as tensões atuais sejam vistas como regionais, as condições para uma escalada mais ampla estão presentes.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou em fevereiro que acredita que o presidente russo Vladimir Putin já iniciou a Terceira Guerra Mundial, enfatizando a necessidade de pressão militar e comercial sobre Moscou.
“”Acredito que Putin já a começou.””
MacMillan aponta que o Irã ou seus aliados, como os houthis do Iémen, são os mais prováveis de escalar o conflito. Ações do Irã, como ataques a rotas de navegação ou o fechamento do Estreito de Ormuz, podem ter consequências globais, afetando o abastecimento de energia e envolvendo potências maiores no conflito.
Maiolo acredita que o conflito permanecerá regional, sem que China e Rússia se envolvam diretamente. Ele ressalta que a China pode se beneficiar da distração do Ocidente, enquanto a Rússia pode intensificar suas ações na Ucrânia.
“”Não acho que haja alguma inclinação para que a China e a Rússia se envolvam diretamente.””
MacMillan também destaca que líderes podem influenciar o curso dos eventos, mencionando que guerras frequentemente são deflagradas por orgulho ou medo. Ela cita o exemplo de Putin, que, segundo ela, cometeu um erro ao invadir a Ucrânia.
Para a contenção do conflito, a diplomacia é essencial. MacMillan enfatiza a importância de manter comunicação entre as partes envolvidas e a necessidade de reconhecer os limites do que pode ser alcançado. Maiolo concorda, afirmando que um cessar-fogo e um acordo duradouro só podem ser alcançados por meio da mediação.

