A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado ouviu hoje, 8 de abril de 2026, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, foi convocado, mas não compareceu pela terceira vez.
Galípolo foi convidado a prestar esclarecimentos sobre a atuação do Banco Central no caso do Banco Master e sobre indícios de práticas criminosas do dono da instituição, Daniel Vorcaro. O Banco Master foi liquidado em novembro do ano passado, um dia após Vorcaro ser alvo de uma operação da Polícia Federal contra fraudes financeiras.
A suspeita é que o banco vendia carteiras de crédito sem garantias. O convite para Galípolo foi aprovado a partir de um requerimento do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que argumentou que a oitiva é importante após a divulgação de uma reunião entre Galípolo, Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), convocou Campos Neto, que chefiou o Banco Central entre 2019 e 2025, época em que surgiram as primeiras suspeitas contra o Banco Master. Segundo Vieira, Campos Neto é uma “testemunha qualificada” para explicar os critérios de idoneidade exigidos de controladores de bancos e a suposta demora do BC em investigar indícios de fraudes.
O requerimento da CPI menciona que, em 2019, o Banco Central autorizou Vorcaro a assumir o controle do antigo Banco Máxima, que passou a se chamar Banco Master. Também cita a Operação Compliance Zero, que investiga se servidores do BC agiram ilegalmente para proteger os interesses do banco.
Campos Neto foi convocado em três ocasiões e não compareceu. As datas das convocações foram: 3 de março, quando a convocação foi transformada em convite por decisão do STF; 31 de março, quando houve nova tentativa com o mesmo requerimento, que também foi transformado em convite; e hoje, 8 de abril, quando a convocação não foi atendida.

