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Economia

Crise no luxo: Hermès e Kering enfrentam queda acentuada na bolsa

Amanda Rocha
Última atualização: 15 de abril de 2026 13:58
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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As principais empresas do setor de luxo europeu enfrentaram forte pressão nos mercados financeiros nesta semana. As ações da Hermès e da Kering recuaram acentuadamente após a divulgação de resultados trimestrais considerados decepcionantes, provocando um efeito negativo em todo o segmento.

Esse movimento reforça uma percepção crescente entre analistas: apesar da imagem de resiliência, o mercado de luxo está cada vez mais exposto a choques externos e mudanças no comportamento do consumidor global.

A Hermès registrou crescimento no primeiro trimestre, mas abaixo do esperado pelo mercado. A receita atingiu cerca de 4,1 bilhões de euros, cerca de 22 bilhões de reais, com alta anual de 5,6%, inferior às projeções de analistas, que esperavam uma expansão mais robusta.

Por sua vez, a Kering apresentou um desempenho mais fraco, com queda de 6% na receita, totalizando 3,6 bilhões de euros, ou 20 bilhões de reais. Esse resultado intensificou as preocupações sobre a capacidade de recuperação de suas principais marcas.

No mercado financeiro, a reação foi imediata: as ações da Hermès chegaram a cair cerca de 14%, enquanto os papéis da Kering recuaram aproximadamente 10%, liderando as perdas entre empresas europeias.

Dentro do grupo Kering, a Gucci continua sendo o principal foco de preocupação. A marca, que representa uma parcela significativa do faturamento da companhia, registrou retração de 8% nas vendas orgânicas. Analistas apontam que a grife enfrenta dificuldades para renovar sua estratégia e reconquistar consumidores, em um cenário de maior concorrência e mudanças nas preferências do público de alta renda.

Além dos resultados corporativos, o contexto global tem pesado sobre o setor. A escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, aumentou a volatilidade nos mercados e afetou diretamente o consumo em regiões estratégicas para o luxo, como aeroportos e centros turísticos.

Outro fator relevante é a desaceleração da economia chinesa. A China segue como um dos principais motores do consumo global de bens de luxo, e qualquer sinal de enfraquecimento no país tende a impactar diretamente as vendas das grandes marcas.

A queda não ficou restrita às duas empresas. Outras gigantes do luxo também foram afetadas, como LVMH, dona da Louis Vuitton, além de Burberry e Moncler. O movimento indica que o mercado passou a revisar suas expectativas para todo o setor, diante de um cenário mais desafiador no curto prazo.

A própria LVMH já havia sinalizado impactos diretos do cenário geopolítico recente, com redução no ritmo de crescimento orgânico.

Apesar das turbulências recentes, especialistas destacam que o mercado de luxo ainda mantém fundamentos sólidos no longo prazo, sustentado por consumidores de alta renda e forte demanda em mercados-chave como Estados Unidos e Ásia. No entanto, o momento atual é visto como um “choque de realidade”, com maior volatilidade e necessidade de ajustes estratégicos por parte das empresas.

Diante do cenário mais adverso, a Kering prepara um plano de reestruturação, com foco na recuperação da Gucci e na melhora da execução operacional do grupo. A expectativa do mercado é que as medidas incluam reposicionamento de marca, revisão de portfólio e mudanças na estratégia de distribuição.

O desempenho recente reforça uma mudança estrutural no mercado de luxo. Após anos de crescimento acelerado, impulsionado principalmente pela demanda chinesa e pelo consumo global pós-pandemia, o setor entra agora em uma fase mais seletiva. Com consumidores mais cautelosos e um ambiente global mais instável, empresas de luxo terão que equilibrar exclusividade, inovação e eficiência para sustentar o crescimento nos próximos anos.

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