Cuba libera mais de 2 mil presos políticos em gesto humanitário

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O regime cubano anunciou na quinta-feira, 2 de abril de 2026, a libertação antecipada de mais de 2 mil presos políticos como um “gesto humanitário” durante a Semana Santa. Esta é a segunda leva de indultos em menos de um mês, em resposta à crescente pressão do governo dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump.

O indulto, que beneficiou 2.010 pessoas, foi aprovado em meio a conversas com o Vaticano. As autoridades cubanas não divulgaram a lista dos beneficiários nem os motivos de suas detenções, mas afirmaram que se tratam de presos que cumpriram parte significativa de suas penas e demonstraram bom comportamento.

O comunicado oficial destacou que o estado de saúde dos perdoados foi considerado, priorizando jovens, mulheres, adultos com mais de 60 anos, além de estrangeiros e cidadãos cubanos residentes no exterior. A medida excluiu reincidentes e aqueles que cumprem pena por crimes graves, como agressão sexual, abuso infantil, assassinato, homicídio, tráfico de drogas, furto, roubo à mão armada e corrupção de menores.

Pessoas acusadas de “crimes contra a autoridade”, geralmente aplicados a manifestantes e opositores, também foram excluídas, assim como indivíduos sancionados por motivos políticos. Este é o quinto indulto concedido pelo regime cubano desde 2011, totalizando mais de 11 mil beneficiários.

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A Igreja Católica tem atuado como mediadora entre Cuba e os Estados Unidos, desempenhando um papel importante no restabelecimento das relações diplomáticas em 2015, durante o segundo mandato de Barack Obama. O anúncio da libertação ocorreu logo após os Estados Unidos terem flexibilizado o embargo de petróleo contra Cuba, permitindo a entrada de um petroleiro russo no país, que enfrenta uma grave crise energética.

Donald Trump reiterou sua intenção de promover uma mudança de regime em Cuba, considerando-a uma “ameaça excepcional” para a região devido aos seus laços com a Rússia, China e Irã. Nos últimos meses, o presidente dos Estados Unidos endureceu sua retórica em relação a Havana e chegou a sugerir a possibilidade de “tomar o controle” da ilha, governada pelo Partido Comunista.

Em 12 de março, as autoridades cubanas já haviam anunciado a libertação antecipada de 51 prisioneiros como um gesto de “boa vontade” para com o Vaticano. No dia seguinte, o governo de Miguel Díaz-Canel confirmou que Cuba havia aberto diálogo com os americanos, como Trump já havia indicado desde meados de janeiro. “Não parece irracional pensar que isso seja um sinal de que parte do diálogo entre os dois governos (Washington e Havana) está progredindo. Talvez lentamente, mas progredindo mesmo assim”, observou Michael Bustamante, historiador da Universidade de Miami, em entrevista à agência de notícias AFP.

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