O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, discursou nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, no Palácio do Planalto. Durante seu discurso, ele se dirigiu a uma plateia composta por líderes do PT, incluindo governadores, parlamentares e ministros, condenando as agressões aos poderes e a falta de respeito aos limites institucionais.
A fala de Alcolumbre foi interpretada como uma crítica direta ao presidente Lula e a alguns de seus ministros. O presidente Lula, que enfrenta dificuldades no Legislativo para aprovar suas pautas, frequentemente critica deputados e senadores, utilizando um discurso de confronto entre ‘nós contra eles’. Alcolumbre afirmou: ‘As pessoas estão pensando no processo eleitoral, mas estamos vivendo agressões a instituições. Somos uma democracia, pessoas pensam diferentes, mas agredir não vai construir o Brasil que os brasileiros precisam e esperam.’
O discurso de Alcolumbre, que ocorreu na posse do novo ministro da Articulação Política do governo, José Guimarães, tinha um alvo claro. Além de criticar os políticos e militantes de esquerda, Alcolumbre também buscou fazer média com o Supremo Tribunal Federal (STF). O STF foi alvo de um relatório da CPI do Crime Organizado que pedia indiciamentos de ministros da Corte sem base jurídica, gerando um novo ciclo de vitimização e ataques entre as instituições.
Alcolumbre, que possui o poder de impeachment contra ministros do STF, nunca considerou abrir processos contra integrantes da Corte. Ele foi criticado por não optar pelo caminho do conflito institucional, que é desejado por alguns parlamentares bolsonaristas. Em seu discurso, ele disse: ‘Está muito bom agredir os outros, passando os limites institucionais.’
Embora não tenha nomeado o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, Alcolumbre deixou claro que seu recado se dirigia a ele. Vieira é conhecido por seus discursos contundentes contra a corrupção e por denúncias que envolvem ministros do STF no escândalo do Banco Master. Apesar de suas intenções republicanas, a proposta de indiciamentos sem elementos concretos acabou fortalecendo o discurso de defesa institucional do STF, que se sentia acuado pelas revelações da Polícia Federal.

