A Polícia Civil investiga a demora no resgate de Thawanna da Silva Salmázio, baleada por uma policial em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, na madrugada de 3 de abril.
Registros oficiais e imagens de câmeras corporais mostram que, às 2h59, a soldado Yasmin Cursino Ferreira disparou contra a vítima. Após o tiro, o soldado Weden Silva Soares questionou a colega sobre o ocorrido: “Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca***?”. A policial respondeu que Thawanna havia dado um tapa em seu rosto.
Logo após, o soldado acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) solicitando o resgate: “Copom, Rua Edimundo Audran, aciona o resgate”. O pedido foi reforçado com a informação de que se tratava de uma “menina baleada”. No entanto, o Copom acionou o Corpo de Bombeiros apenas às 3h04, cerca de cinco minutos após a solicitação inicial.
Às 3h06, uma viatura de resgate dos Bombeiros foi empenhada, mas foi substituída por outra às 3h12. Durante esse período, o policial expressou preocupação com a demora: “O resgate vai demorar? Já está ficando branco o lábio dela. Cadê o resgate?”. A segunda ambulância saiu da base às 3h17 e chegou ao local às 3h30, cerca de 30 minutos após o pedido inicial.
Thawanna foi levada ao hospital, onde chegou às 3h40, mas não resistiu aos ferimentos. O Instituto Médico Legal (IML) informou que a causa da morte foi hemorragia interna aguda, resultante do disparo. Socorristas afirmaram que a demora no resgate contribuiu para o agravamento do quadro da vítima.
Apesar da proximidade de bases do Corpo de Bombeiros, que poderiam ter chegado em menos de 10 minutos, a resposta foi de meia hora, superando a meta de 20 minutos estabelecida pela corporação para atendimentos de emergência.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi questionada sobre a demora e a dinâmica do resgate, mas não forneceu detalhes, afirmando que o caso está sendo investigado com prioridade pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e por meio de Inquérito Policial Militar.
““Todas as circunstâncias são investigadas com prioridade pelo DHPP e por meio de Inquérito Policial Militar”, informou a SSP.”

