Um embate entre as deputadas Rosana Valle e Erika Hilton elevou o tom da reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, na quarta-feira, 8 de abril de 2026.
A discussão expôs divergências sobre a condução dos trabalhos e terminou com acusações de transfobia entre parlamentares. Durante o debate, Rosana Valle criticou a presidência da comissão, ocupada por Erika Hilton, primeira mulher trans a assumir o cargo.
Entre os pontos levantados, a deputada do PL reclamou da falta de deliberação de um requerimento de sua autoria que propunha audiência pública sobre endometriose. “Enquanto mulher, na condição de mulher, a senhora não me representa. Estamos aqui para impedir que a comissão se torne uma comissão de militância ideológica”, afirmou.
O momento de maior tensão ocorreu quando Rosana Valle mencionou a possibilidade de acionar a Lei Maria da Penha durante a discussão. Ao justificar a fala, declarou que a colega demonstrava postura que poderia evoluir para confronto físico, acrescentando que Erika Hilton teria “força de um homem”, o que gerou reação imediata no plenário.
A declaração foi criticada por parlamentares presentes, como Fernanda Melchionna, que classificou o comentário como transfóbico. Apesar do clima acirrado, Erika Hilton pediu que as aliadas evitassem ampliar o conflito.
Em resposta, a deputada do PSOL rebateu as falas e acusou Rosana Valle de comportamento “agressivo, odioso e desrespeitoso”. Ela também afirmou que não abrirá mão de se manifestar nos debates. “A senhora não pode esperar que eu ouça barbaridades em silêncio. Ninguém vai tirar o meu direito de falar enquanto deputada”, disse.
Erika Hilton ainda ironizou as críticas ao seu tom de voz e afirmou que continuará se posicionando com firmeza nas discussões da comissão. “Se acha que eu grito, compre um protetor auricular. Fui silenciada por muito tempo e agora vou falar o que considero necessário”, completou.
O episódio evidencia o ambiente de tensão na comissão e reacende debates sobre respeito, diversidade e os limites do confronto político dentro do Parlamento.

