O castanheiro Jhemenson Rodrigues Gonçalves, de 33 anos, está desaparecido há 15 dias na Floresta Estadual do Paru, na divisa entre Amapá e Pará. Ele entrou na floresta no dia 4 de abril e não retornou. Uma força-tarefa foi criada para as buscas, mas até o momento ele não foi encontrado.
As equipes enfrentam diversos desafios, sendo o principal a imensidão da floresta, que dificulta o trabalho e o deslocamento. As primeiras buscas ocorreram nas proximidades do local onde Jhemenson teria desaparecido, mas sem resultados. O raio das buscas foi ampliado para cerca de 4 quilômetros a partir do acampamento.
Na quarta-feira (15), as buscas foram direcionadas para outra área da floresta, com a suspeita de que Jhemenson tenha atravessado um rio próximo. A coleta de castanha é uma das principais atividades econômicas em Laranjal do Jari e áreas adjacentes do Pará, onde trabalhadores costumam entrar na mata para recolher os ouriços.
A região apresenta acesso difícil e vegetação densa, com capins cortantes e mata fechada, o que torna as buscas ainda mais complicadas. Moradores afirmam que a maneira mais fácil de chegar à área é por meio dos “batelões”, barcos utilizados para o transporte de castanha. O abafamento da floresta também aumenta o cansaço das equipes e dificulta a respiração.
José Jussian da Silva, um dos responsáveis pelas buscas, relatou que os grupos já passaram até dois dias dentro da mata sem sucesso. Ele explicou: “Percorremos cerca de 45 quilômetros fazendo barulho e observando o mato, mas não encontramos vestígios. Esse é um lado do planejamento que fizemos. Agora, vamos seguir na direção de onde paramos para fechar a região do Leste ao Sul. Estamos seguindo um planejamento em formato de quadrado, com lados de 10 quilômetros. A caminhada na vegetação é muito difícil, e por isso os 10 quilômetros acabam virando até 13”.
Para se comunicar, os profissionais utilizam disparos de pistola e gritos específicos. Na terça-feira (14), moradores relataram ter ouvido tiros e acreditaram que poderiam ser sinais de Jhemenson, mas ele não foi localizado. As equipes de resgate também relataram a falta de água potável e um acampamento-base foi montado para dar apoio.
Outros casos de castanheiros perdidos já foram registrados, mas nenhum durou tanto tempo. As buscas contam com a participação de bombeiros do Pará, do Grupo Tático Aéreo (GTA), moradores da região e do Exército Brasileiro, que realiza o monitoramento aéreo. A família de Jhemenson também mobiliza apoio pelas redes sociais.

