A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o desaparecimento da família Aguiar, mas não conseguiu esclarecer todos os aspectos do caso. Silvana de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail, de 69, e Dalmira Germann de Aguiar, de 70, estão desaparecidos há mais de 80 dias.
O policial militar Cristiano Domingues Francisco foi indiciado por feminicídio, dois homicídios triplamente qualificados, ocultação de cadáver e outros crimes. Enquanto o Ministério Público analisa a possibilidade de oferecer denúncia, várias questões permanecem sem resposta.
Os corpos de Silvana, Isail e Dalmira não foram encontrados, assim como o Volkswagen Fox vermelho que teria sido utilizado no crime. O delegado Diego Traesel, da Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal, afirmou que as buscas foram realizadas em diversas localidades, mas sem sucesso. “Nenhuma informação foi descartada, todas foram verificadas no Litoral, na Serra, na Região Metropolitana de Porto Alegre”, declarou.
A polícia acredita que a atuação dos suspeitos dificultou as investigações. “Houve um tempo para a preparação do pós-crime, e isso nos prejudicou bastante”, explicou Traesel. Cristiano teria utilizado inteligência artificial para simular a voz de Silvana, criando um falso acidente que desviou a atenção da polícia.
As investigações indicam que as mortes podem ter ocorrido por asfixia. O delegado Anderson Spier afirmou que a ausência dos corpos impede a confirmação do instrumento utilizado. “A hipótese que mais se ajusta seria de uma asfixia, provavelmente por esganadura”, disse.
O Volkswagen Fox vermelho é considerado crucial para o caso, pois teria sido utilizado por Cristiano para cometer os crimes e ocultar os corpos. “Realizamos diversas inteligências para tentar localizar esse veículo, mas ele não foi encontrado”, afirmou Spier.
Os delegados acreditam que Silvana foi morta entre a noite e a madrugada de 24 de janeiro. Câmeras de monitoramento registraram movimentações suspeitas na residência da família. Cristiano teria atraído Isail e Dalmira para a casa de Silvana usando uma gravação de voz simulada.
Além de Cristiano, outras cinco pessoas foram indiciadas, incluindo a esposa do PM e familiares, por fraude processual e associação criminosa. O inquérito da Polícia Civil possui 20 mil páginas, abrangendo depoimentos, diligências e quebras de sigilo.


