O Distrito Federal possui 667 pacientes aguardando doação de medula óssea, mas pelo menos 587 deles não poderão realizar o transplante na capital pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, não há hospitais públicos credenciados para esse procedimento no DF.
O Hospital da Criança de Brasília José Alencar é o único credenciado, mas limita-se a realizar transplantes apenas em pacientes de até 18 anos, com 80 cadastros no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) que se enquadram nesse critério.
Os transplantes em questão são do tipo alogênico, que requerem células de um doador, seja um parente ou um doador cadastrado. Para aqueles que possuem plano de saúde ou podem arcar com os custos, existem opções na rede privada, como o Hospital Santa Luzia, Hospital Sírio-Libanês, Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF), Hospital DF Star e Hospital Brasília.
Os pacientes que dependem da rede pública são obrigados a viajar para outras unidades da Federação para realizar o transplante. O governo do DF oferece uma “ajuda de custo”, que, segundo relatos de pacientes, não cobre nem metade das despesas. A Secretaria de Saúde do DF informou que, após a definição do centro transplantador, o paciente é encaminhado para atendimento por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).
A pasta não esclareceu o motivo pelo qual o DF não possui hospitais públicos credenciados para esse tipo de transplante há anos. O último transplante de medula realizado no DF ocorreu em 2020.
O Ministério da Saúde afirmou que não há restrições federais para que o DF retome os transplantes. A habilitação dos serviços depende de critérios técnicos, como a disponibilidade de estrutura adequada e capacitação das equipes. Atualmente, 14 estados brasileiros têm hospitais aptos para realizar transplantes de medula.
No DF, apenas o transplante autólogo é realizado, que utiliza células-tronco do próprio paciente. A chefe da hematologia do Hospital Universitário de Brasília, Flávia Dias Xavier, explicou que o transplante alogênico requer uma estrutura maior e não pode ser feito em quartos comuns. Além disso, as quimioterapias necessárias após o procedimento são mais complexas e custosas.
Rita de Cássia, de 54 anos, diagnosticada com leucemia em 2022, é um exemplo de paciente que teve que viajar para realizar o transplante. Após dois anos de espera, em 2024, ela foi informada de que havia um doador compatível, mas o transplante teve que ser feito no hospital Amaral Carvalho, em Jaú, interior de São Paulo.

