A Dinamarca anunciou a construção da primeira “ilha de energia” do mundo no Mar do Norte, com um investimento estimado em mais de US$ 30 bilhões, equivalente a quase 160 bilhões de reais. O projeto visa reduzir a dependência da Europa de combustíveis fósseis e fornecedores externos, especialmente em um momento de instabilidade nos mercados globais de energia.
A “Energy Island” funcionará como um hub energético em alto-mar, reunindo eletricidade gerada por diversos parques eólicos e redistribuindo-a para vários países. A energia será convertida em corrente contínua de alta tensão (HVDC), o que minimiza perdas na transmissão e permite a integração entre diferentes sistemas elétricos nacionais.
Com uma capacidade prevista de até 10 gigawatts (GW), a ilha poderá abastecer até 10 milhões de residências, posicionando-se entre os maiores projetos de infraestrutura energética do mundo. O sistema centralizado promete reduzir custos e aumentar a eficiência, além de permitir a expansão modular com a conexão de novos parques.
O projeto surge em um contexto geopolítico delicado, após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que acelerou a transição energética da Europa. A instabilidade no Oriente Médio reforça a necessidade de diversificação das fontes de energia, tornando o Mar do Norte um polo estratégico para a geração eólica.
A “ilha de energia” dinamarquesa terá conexões diretas com a Alemanha, Países Baixos e Bélgica, com potencial de expansão para o Reino Unido e Noruega. Essa rede permitirá um fluxo bidirecional de energia, comparável a um mercado energético em tempo real, aumentando a resiliência do sistema.
Além da eletricidade, a ilha poderá produzir hidrogênio verde a partir do excedente de energia eólica, utilizando eletrólise. Esse combustível é considerado essencial para descarbonizar setores como siderurgia e transporte marítimo, com discussões em andamento para sua exportação para centros industriais como o porto de Rotterdam.
Apesar do entusiasmo, o projeto enfrenta críticas relacionadas a riscos ambientais e desafios financeiros. Ambientalistas alertam sobre possíveis impactos em ecossistemas marinhos, enquanto a complexidade técnica e o alto custo exigem coordenação entre governos e investidores.
Para analistas, a “ilha de energia” simboliza a transição de uma economia baseada em combustíveis fósseis para um sistema centrado em fontes renováveis. Se bem-sucedido, o modelo poderá ser replicado em outras regiões, sinalizando uma nova lógica energética global, menos dependente de recursos concentrados.

