O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta desafios em sua estratégia de alianças para as eleições de 2026. Em um sistema político fragmentado como o brasileiro, a composição dos palanques nos estados pode ser decisiva para o resultado da disputa presidencial, que promete ser acirrada.
O PT já avançou na formação de alianças em 22 dos 27 estados, incluindo coligações históricas com o PSB e o PDT, além de parcerias menos esperadas, como com Clécio Luís (União Brasil) no Amapá e Lucas Ribeiro (PP) na Paraíba. Neste último estado, Lula terá que se equilibrar entre dois palanques, já que, apesar de apoiar formalmente Lucas Ribeiro, mantém boas relações com o ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), que também é alinhado ao petista.
O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que integra a chapa de Cícero, afirmou que convencer o colega a pedir votos para Lula não será uma tarefa fácil. Em Pernambuco, o PT formalizará aliança com João Campos (PSB), mas não descarta a governadora Raquel Lyra (PSD), que se aproximou do presidente e também lançará um candidato à Presidência, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado.
O deputado Jilmar Tatto (PT-SP), membro do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), destacou que o PT já aceitou um protagonismo menor nesta eleição, prevendo lançar apenas dez candidatos próprios aos governos estaduais, o menor número nas últimas quatro eleições.
O professor Rodrigo Prando, da Universidade Mackenzie, observou que a composição dos partidos neste ano foi acelerada devido à polarização persistente e ao crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas. Ele comentou que Lula tenta capitalizar sobre as realizações do governo, enquanto Flávio Bolsonaro se apresenta como uma força mais forte do que o esperado.
As alianças estaduais são fundamentais não apenas para a estrutura de campanha, mas também para garantir tempo de propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio. Apesar do crescimento das redes sociais, os meios tradicionais de comunicação ainda desempenham um papel importante na política brasileira.
Um estudo da Fundação Primeiro de Maio estima que a União Progressista, federação entre o União Brasil e o PP, terá a maior fatia do horário eleitoral, com 2 minutos e 28 segundos. O PL terá 2 minutos e 14 segundos, enquanto o PT contará com 1 minuto e 59 segundos. Essa distribuição é baseada no tamanho da bancada dos partidos na Câmara dos Deputados eleita em 2022.
O cientista político Henrique Cardoso explicou que o tempo de TV ainda é crucial nas eleições, especialmente para candidaturas majoritárias, e os partidos formam suas coligações visando ampliar esse tempo. Uma aliança entre a União Progressista e o PL poderia dobrar o tempo de TV disponível para Flávio Bolsonaro.


