Neste domingo, 12 de abril de 2026, os peruanos participarão das eleições com a maior cédula eleitoral da história do país, que apresenta foto e símbolo partidário de cada um dos 35 candidatos à presidência.
A cédula mede cerca de 42 centímetros de largura e mais de 40 centímetros de comprimento, organizada em cinco colunas. A primeira coluna é destinada à eleição de presidente e vice-presidente, as duas seguintes para senadores, a quarta para deputados e a quinta para o Parlamento Andino. Ao todo, 198 autoridades serão eleitas por mais de 27 milhões de peruanos aptos a votar.
O processo eleitoral é considerado um dos mais complexos e confusos já vivenciados pelos peruanos, ocorrendo em um contexto de deterioração da democracia e uma década de crise política sem sinais de melhora. Em fevereiro, o oitavo presidente em menos de dez anos assumiu o cargo.
Fernando Tuesta, professor de ciência política da Pontifícia Universidade Católica do Peru, atribui o elevado número de candidatos à “tremenda insatisfação” da população com a política. Ele destaca que a taxa de aprovação da ex-presidente Dina Boluarte chegou a apenas 3%, e o Congresso teve apenas 5% de aprovação, números históricos.
Tuesta, que já foi chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais e liderou a Missão de Observação da Organização dos Estados Americanos no México em 2022, explica que a rejeição popular nos últimos anos levou ao surgimento de mais partidos. “Com a proximidade das eleições de 2026, inúmeros partidos estão sendo formados, mas no Peru são organizações extremamente frágeis e altamente personalistas”, afirmou.
Ele também comentou que, durante a década de 1980, o colapso econômico e a desconfiança nos partidos políticos facilitaram o surgimento de novas opções políticas, culminando na eleição de Alberto Fujimori em 1990, o primeiro presidente fora do sistema político peruano. Nos últimos anos, a proliferação de grupos políticos continuou sem cessar.
Além da insatisfação com a política, Tuesta aponta outros sintomas preocupantes, como descontentamento, representação precária, polarização e concentração de poder no parlamento, além de um vácuo de poder no executivo.

