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Economia

Endividamento das famílias brasileiras cresce e se torna tema central nas eleições de 2026

Amanda Rocha
Última atualização: 10 de abril de 2026 00:00
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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O endividamento das famílias brasileiras atinge níveis recordes, com 80,4% de endividados em março, e metade da população inadimplente, segundo dados recentes. Essa situação mobiliza o governo e começa a ser um tema central na disputa presidencial de 2026.

Os pré-candidatos de oposição, Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD), utilizam o cenário de endividamento para criticar o governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também aborda frequentemente o alto nível de endividamento em suas falas. O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, recebeu a missão de resolver essa questão ao assumir o cargo.

Rui Costa, ministro da Casa Civil, destacou que o endividamento é a principal preocupação de Lula para as eleições de 2026. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que quase metade da renda dos brasileiros está comprometida com dívidas.

Na terça-feira (7), Lula e Durigan discutiram um novo programa de refinanciamento de dívidas, que visa oferecer a chance de trocar dívidas por uma nova com juros mais baixos e descontos de até 80%. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também sugeriu o uso de valores do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar cerca de 10 milhões de brasileiros a pagarem suas dívidas.

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““O que nós queremos é ver como é que a gente faz para facilitar o pagamento daquilo que as pessoas devem. […] Por isso, o Dario Durigan está com a função de apresentar essa solução”, disse Lula.”

Os pré-candidatos de oposição criticam o aumento do custo de vida. Flávio Bolsonaro afirmou que os brasileiros sentem o encarecimento de itens básicos, como alimentos e combustíveis, apesar das projeções oficiais de inflação. Ele declarou:

““Você não precisa ser economista para saber que viver no Brasil tá caro.””

Ronaldo Caiado também comentou sobre a situação, questionando Lula sobre suas declarações a respeito de gastos com animais de estimação e destacando a alta dos alimentos e a inflação.

Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirmou que a percepção negativa dos brasileiros sobre a economia deve influenciar as eleições. Ele observou que, mesmo com o aumento da renda, o custo de vida subiu no mesmo ritmo, gerando uma sensação de desconforto. Nunes também mencionou uma relação entre endividamento e vício em jogos online, com 29% dos entrevistados relatando que começaram a apostar para pagar contas.

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Dados do Mapa da Inadimplência do Brasil, divulgados pela Serasa, indicam que o número de inadimplentes aumentou 38% nos últimos 10 anos, atingindo 81,7 milhões. Apesar disso, a economia apresenta sinais positivos, com a taxa de desemprego em 5,8% e a renda média mensal acima de R$ 3.600.

O economista Flávio Ataliba explicou que não há contradição entre um mercado aquecido e famílias endividadas, citando fatores como a expansão de empregos de baixa renda e a alta taxa de juros. Ele ressaltou que o aumento dos preços dos alimentos impacta diretamente o orçamento das famílias, especialmente as de baixa renda.

Pesquisas da Quaest mostram que a desaprovação do governo tem aumentado, com 64% dos entrevistados afirmando que seu poder de compra diminuiu. Camila Abdelmalack, economista, alertou que programas de renegociação de dívidas podem trazer alívio temporário, mas não resolvem o problema estrutural da inadimplência no Brasil.

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